O que sente quando vê alguém a comprar, ou a ler, uma obra sua?
Rafael Pastor, 8 anos, Colégio Casa Mãe, Paredes (ri-se) Bem, tenho de pensar nisso. Nós, escritores, escrevemos para ser lidos e gostamos de ser apreciados. Gostamos que os nossos livros esgotem edições e, depois, sejam feitas re-edições. Cada livro tem uma edição de três mil ou de cinco mil exemplares, e, quando esgotam, é agradável. Vi pessoas a comprarem livros meus na Feira do Livro. Sinto-me bem, sinto-me consolado.Porque é que se formou em filosofia?
Mafalda Passos e Sara Sousa Não sei bem. Primeiro, andei pelo curso de Ciências Económicas e Financeiras. Depois, senti que não estava no meu lugar certo e mudei para Direito. Aí, as aulas davam-me muito sono… e mudei para Filosofia. Entretanto, comecei a dar aulas muito cedo e, sem ser doutorado, todos me tratavam por “doutor”. Demorei alguns anos para acabar o curso, porque trabalhava ao mesmo tempo que tinha aulas, mas senti que tinha de finalizar o curso e merecer o título por que todos me tratavam.Gostava de escrever um livro em parceria com alguém especial? Porquê?
As obras que escreve são ficções ou baseiam-se em factos reais?
Alguns dos seus livros são histórias verídicas?
Bruna Rebelo, 12 anos, 6º D, Escola Básica João de Barros. ViseuGosta mais de escrever livros ou de fazer guiões para televisão, teatro e cinema?
Gabriel Teixeira, 8 anos, Paredes Gosto de tudo. Tenho percorrido praticamente todos os géneros. Tenho uns romancezinhos para jovens, mas não para adultos. Mas também gosto muito de escrever teatro, que é aquilo que agora mais continuadamente escrevo. Ainda ontem, tive o prazer de ouvir um convite do meu amigo João Mota para fazer uma peça para o Teatro Nacional D. Maria II. Mas hoje em dia, por causa das condições económicas, as companhias pedem-me peças com poucos atores. Um dia destes, ficamos reduzidos a monólogos, por que não há dinheiro para pagar aos atores. Mas eu gosto dessa pressão sobre o próprio engenho, é estimulante.O que mudou no nosso ensino e o que falta para ser ainda melhor?
Gabriel Barbosa, 8 anos Eu não tenho uma opinião firmada ao ponto de dizer que o ensino está a passar por dificuldades. Vou muito a escolas, faço uma média de 60 escolas por ano, e vou sabendo que se passa no ensino. Embora tenha feito parte de um colégio que, na década de sessenta, foi o introdutor em Portugal da escola moderna, não me sinto capacitado para falar do ensino em geral. Mas do que vou ouvindo dos professores, receio bem que o ensino em Portugal não esteja bem, e que precise de uma profunda reavaliação das suas capacidades e potencialidades.Em que se baseou para escrever os livros Vem aí o Zé das moscas e Outras histórias tradicionais portuguesas contadas de novo?
O site História do Dia é um sucesso e um excelente recurso para todos os jovens. Como teve a ideia de o iniciar?
Quando escreveu o primeiro livro e o publicou, como é que os leitores reagiram?
Gonçalo Correia, 14 anos, LisboaO meu professor trouxe-nos o livro Verdes são os campos para a Hora do Conto. Queria saber porque o escreveu e porque fala de Paredes de Coura?
Diogo Gama, 9 anos, Paredes de Coura Foi uma peça de teatro encomendada pelo Centro Dramático de Viana de Castelo, e estreada no Centro Cultural de Paredes de Coura, onde me pediram para falar da região. E eu fiz Verdes são os campos, um título que tem a ver com os campos do Minho e com o poema de Luis de Camões: “Verdes são os campos, da cor do limão, assim são os olhos do meu coração.”As suas histórias têm muitas vezes uma vertente engraçada. Considera-se uma pessoa engraçada e com sentido de humor?
Marco Coelho, 8 anos, Colégio Casa Mãe Não me cabe a mim dizer isso. Mas não tenho razões para ter mau humor. Não sou daquelas pessoas amarguradas, que se queixam muito. A vida tem-me dado felicidade. Portanto, gosto de transmitir essa felicidade e otimismo através dos meus livros.Como escolhe os títulos dos seus livros, como por exemplo O rabo do rato?
Como é a vida de um escritor famoso? É reconhecido na rua?
De todos os livros que escreveu, qual é o seu preferido? Porquê?
Mafalda Rodrigues e Carina Esperança, 13 anos, Externato D. Fuas Roupinho, NazaréQual é o próximo livro que pensa escrever?
Bruna Rebelo, 12 anos, Viseu Também não penso. Às vezes, começo a escrever. Mas ainda agora acabei uma peça de teatro, tenho de esperar um tempo até voltar à secretária para escrever novamente. Essa peça de teatro tem a ver com o romance português Viagens na minha terra, do Almeida Garrett. É sobre a história da Joaninha dos olhos verdes. Talvez seja esse o livro que irei escrever de seguida.Costuma festejar de alguma forma especial quando acaba um livro?
Rodrigo Pedrosa, 8 anos, Paredes Com um suspiro de alívio, às vezes. Não faço festa. Com 140 livros já publicados, teria de fazer muitas festas. Mas se é uma obra com mais peso e responsabilidade, digo a algumas pessoas “olha, já acabei”. E elas respondem-me: “Vamos ver se, um dia destes, almoçamos.”Hoje em dia, qual é o seu sonho?
Gostava de vir à minha escola contar histórias?
Bruna Rebelo, 12 anos, Viseu Sim. Gosto muito de contar histórias, às vezes sem ler o texto. Como comecei a inventar histórias quando tomava conta dos meus primos, talvez tenha sido esse ato de contar histórias que me levou à escrita. E as pessoas dizem-me que eu escrevo como quem está a falar com os outros.Gosta de visitar as escolas?
Porque é que se dedicou à escrita?
Mafalda Rodrigues, 13 anos, Externato D. Fuas Roupinho, NazaréGosta de escrever para o público infantil?
Carina Esperança, 13 anos, Externato D. Fuas Roupinho, Nazaré Gosto. Seria terrível fazer isto como se fossem trabalhos forçados. Era uma tortura permanente. O escrever faz parte da minha vida, e tem-me ajudado. Desloca-me da vida corrente e de alguns desgostos, e faz-me bem. É por isso que continuo a escrever.De todos os livros que escreveu, qual é que teve mais sucesso?
Estava na Serra da Estrela quando escreveu O Adorável Homem das Neves?
Catarina Baltazar, 8 anos, Extremoz Não. Mas certa vez, que fui a uma escola da Covilhã, os alunos surpreenderam-me com uma peça que era a versão simplificada desse livro.O que queres perguntar a Sérgio Godinho, Lídia Jorge e Valter Hugo Mãe?
Tu podes ser o próximo entrevistador da VISÃO júnior! De todas as perguntas que recebermos, vamos escolher os autores das melhores para irem falar com os escritores convidados. Envia as tuas questões para escritoresjunior@visao.impresa.pt
Sérgio Godinho: Questões até 6 de Fevereiro
Lídia Jorge:Questões até dia 29 de Fevereiro
Valter Hugo Mãe: Questões até dia 9 de Março