
Numa manhã de Abril, 5 amigos decidiram ir ler as sinas.
Ao vê-los chegar, a cigana espantou-se:
– Vocês são os jovens que eu procurava. Queiram acompanhar-me.
Eles interpelaram-se. Davam “corda aos sapatos” ou seguiam-na?
Rui, curioso, convenceu os amigos a acompanhá-la.
Atrás da banca, estava uma roulotte. A cigana insistia.
-Entrem…
Acabaram por fazê-lo cautelosamente. De repente, a porta fechou-se e tudo começou a girar.
Quando a tranquilidade voltou, saíram aliviados, mas repararam que lá fora já não estavam as mesmas pessoas. Tudo estava mudado, a população estava vestida com trajes antigos. Havia também agitação na rua.
-Isto é Arrifana no passado! – disse a Ana.
-Cuidado com os franceses!

Os amigos começaram a discutir. Que grande confusão em que se tinham metido. Ao aperceber-se do pânico dos adolescentes, o homem aproximou-se, apresentando-se como sendo Bernardo António Soares Barbosa da Cunha *. Ofereceu-se para os ajudar e acolheu-os em sua casa. Ao entrarem questionaram-se sobre onde estaria o televisor, o computador e a PlayStation?
Sentaram-se e ele respondeu a todas as perguntas.
-É mesmo verdade que os Franceses estão a invadir Arrifana? Perguntou o Zé.
-Esta é a segunda invasão Francesa. Isto ainda está no começo. Receio que chegada a noite as coisas piorem. Teremos de nos esconder na cave. – Disse Bernardo.
-Afinal estamos em que ano? – Perguntaram.
-Hoje é dia 17 de Abril de 1809.
Escondidos na cave, pensavam como poderiam sair daquela embrulhada.
Lá fora, Arrifana estava a arder. Os Franceses destruíam, roubavam e incendiavam tudo. Ouviam-se tiros.
-Fujam para a igreja – alertava o pároco.

Enquanto o pesadelo decorria lá fora, o grupo decidiu pôr em prática um plano. Quando os Franceses adormecessem, sairiam sorrateiramente, retirariam todas as balas aos militares.
Ao amanhecer, quando os soldados se preparavam para executar os quintados*, que estavam escondidos na igreja, a população reparou que esses não tinham munições. Perante tal facto, os populares atacaram com enxadas, foices e pás, expulsando os invasores Napoleónicos.
A calma voltou, os amigos, ao longe, avistaram um clarão, que os atraia. Ao chegar junto dele foram sugados e transportados para a realidade. Ainda incrédulo com o sucedido, decidiram partilhar a sua história com outros colegas, no Pelourinho*, saboreando uma deliciosa fogaça*.

Viagem no tempo
Bernardo António Soares Barbosa da Cunha* Chefe da guerrilha de Arrifana;
Quintados* era o quinto elemento de um grupo de cinco que era escolhido para ser fuzilado;
Pelourinho* monumento aos mártires de Arrifana;
fogaça*pão grande e doce