A maior investigação jornalística da história foi divulgada na noite do passado domingo, dia 3 de abril. Imagina que tens um porquinho mealheiro onde costumas guardar as tuas poupanças. Os teus amigos também têm o hábito de guardar algumas notas que os pais e os avôs costumam oferecer-lhes na Páscoa, no aniversário, no natal. Certo dia, decidem juntar todas as notas e moedas no mesmo porquinho e o dinheiro multiplica-se. Tudo corre bem até que a tua mãe descobre e fica muito zangada.
A situação dos Panama Papers é mais complexa e tem como objetivo principal conseguir mais dinheiro (ganhar juros) e fugir ao pagamento de impostos. Nestes locais, conhecidos como “offshores” ou paraísos fiscais, foram criadas milhares de empresas onde pessoas famosas colocavam o dinheiro. Entre eles o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do presidente russo Vladimir Putin, o antigo futebolista Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.
O trabalho de investigação durou um ano e envolveu 378 jornalistas de 107 meios de comunicação em 77 países. O trabalho resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas “offshore” em mais de 200 países e territórios. Em causa estão políticos de todo o mundo, além de celebridades e banqueiros que ocultaram fortunas para fugir ao pagamento de impostos. O semanário Expresso e o canal de televisão TVI estão a participar nesta investigação em Portugal.