Menção Honrosa
Os vencedores da iniciativa Agora o Escritor És Tu! continuaram o livro “A inaudita guerra da avenida Gago Coutinho”, fizeram perguntas muito giras ao escritor Mário de Carvalho
Inaudito aviso do Futuro
Quando já estava tudo resolvido, com o cansaço de toda aquela agitação e confusão, a musa Clio deixou-se novamente dormir, num sono profundo e quase infinito. Mas, desta vez, as linhas do tempo que se cruzaram foram as do presente e as do futuro.
Na rotunda do Relógio, em Lisboa, em Portugal, mais precisamente na Europa, no planeta Terra, foi onde aconteceu todo aquele aparato. Era hora de ponta, uns saíam do seu trabalho e regressavam a casa, outros entravam. Toda a população começou a olhar para o céu e a ver o que se passava. Algumas pessoas telefonaram logo para tudo quanto podiam para avisar da ocorrência. Ainda não tinham passado dois minutos, quarenta e três segundos e mil trezentas e vinte e oito milésimas que a notícia propagou-se pelos média. A PSP, a GNR, os bombeiros, a polícia de intervenção, o exército com carros blindados, tanques de guerra, canhões de água e aviões da segunda Guerra Mundial (os que ainda estavam intactos) já estavam no local para alguma eventualidade.
Primeiro, toda a população começou por observar uns objetos estranhos que sobrevoavam o céu, eles pareciam ser aquelas naves espaciais parecidas com aquelas do filme Guerra das Estrelas, todas futuristas e cheias de luzes a piscar, umas mais rápidas, outras mais lentas, mas todas piscavam. O astro tinha ficado verde azulado, cor de safira, sem nuvens e sem Sol e Lua. A seguir, esses objetos começaram a andar de um lado para o outro e a rodar sobre si próprios a alta velocidade. Aí as luzes começaram a fazer efeitos por causa daquela velocidade toda e do piscar das luzes.
Mais tarde, começaram a sair seres verdes com a cara alongada para cima e para baixo, um pouco mais achatada em baixo, parecendo-se com um ovo invertido. Os seus olhos eram grandes e eram completamente pretos, não tinham íris nem pupila. O seu nariz eram apenas dois orifícios na mesma zona da cara como a nossa, o mesmo acontecia com os olhos, também situados à semelhança dos humanos. Eram altos e muito magros. Não tinham pêlos nenhuns em lado algum, exceto na cara, o que se aproximava muito da nossa barba. As orelhas eram pequeníssimas e também situadas na mesma zona da cabeça dos humanos. Enfim, tinham um ar muito humanóide.
De seguida, começaram a fazer danças estranhas e a falar uma língua esquisita. Deviam estar a tentar comunicar connosco ou vinham em paz e estavam a tentar socializar e avisar toda aquela população que vinham com essa intenção ou iam começar uma guerra descontroladíssima e com tecnologias muito superiores às nossas, como é óbvio! Se fosse como a segunda Guerra, deveria ser o nosso fim de certeza.
Os cientistas que estavam a estudar a vida para além da terra, através de rádios intercomunicadores, radares sondas e satélites, conseguiram perceber todas aquelas manifestações (as danças e a sua língua). Estes imediatamente informaram que aquelas naves eram apenas de reconhecimento e que ninguém nos ia fazer mal nem outra coisa que se parecesse. Subitamente, aqueles seres desapareceram, sem nos terem feito qualquer mal ou destruído alguma coisa.
Entretanto, a musa Clio continuava no seu sono profundo e pesado, sem conseguir acordar.
Dias mais tarde, regressaram, mas desta vez com a nave mãe. Esta, por sua vez, era bem maior, também era toda futurista e cheia de luzes. Não se sabendo como descobriram o funcionamento da nossa língua, eles conseguiram comunicar através de um letreiro gigante e todo futurista que dizia: “CONTROLEM MELHOR OS VOSSOS RECURSOS, O VOSSO FUTURO ESTÁ EM RISCO…SERÁ DIFÍCIL SALVÁ-LO!”.
Toda a população ficou muito estupefacta e surgiram várias interpretações para aquela mensagem, proveniente de uns seres que nunca mais ninguém voltou a ver.
Lá em cima, no Olimpo, Zeus convocou os deuses para um Consílio, a fim de determinar o futuro de Clio, tendo sido nomeada deusa do sono e demitida do cargo de deusa da História. Com um estrondoso raio emitido por Zeus, Clio despertou e escutou a sua sentença.