Conta-se que, um dia, uma padeira encantou-se pelo rei D. Sebastião.
Maria era muito nova, habilidosa e trabalhava, noite e dia, a fazer pão e doçarias.
Certo dia, a comitiva real passou por aquelas terras pois estava próxima uma batalha muito importante.
Entretida, a amassar o pão, não ouviu os cascos a aproximarem-se rapidamente. Vários cavaleiros entraram. Foi necessário servi-los, principalmente, a sua alteza real. Era ainda um jovem formoso e que, a sorrir, perguntou:
– Sois vós quem fazeis estes confeitos deliciosos?
Os olhos azuis de Maria brilharam de surpresa e contentamento.
– Sim, senhor – respondeu com respeito.
– São maravilhosos! Nunca comi nada igual! – comentou o rei com um ar surpreendido.
– Muito obrigada! Podeis comer mais, aqui tem! – disse Maria.
– Lá no reino, não há sabor tão agradável! Devem ser feitos com muito amor! – exclamou sua alteza.
A jovem sentiu-se muito feliz e parecia hipnotizada ao ver o seu rei a saborear os doces com tanta satisfação.
De repente, ouviram-se vozes e um soldado veio avisar:
– É chegada a hora!
O soberano agradeceu e, mais uma vez, elogiou os bolinhos tão especiais.
A padeira, encantada e cheia de pena, ainda acrescentou:
– Quando quiserdes, aparecei senhor.
Todos partiram e, passadas algumas semanas, ouviu-se a notícia que D. Sebastião havia desaparecido no meio do nevoeiro.
Maria, triste, com o coração despedaçado, mas, ao mesmo tempo, esperançada continuou a fazer os pequeninos doces, todos os dias.
E quando lhe perguntavam o nome daquelas delícias, ela respondia:
– São bolinhos de amor!
Ainda hoje, em Penafiel, é possível encontrar os deliciosos bolinhos de amor.