Depois de alguns minutos de reflexão, Afonso Silva e Jacinto Gomes, ambos com 12 anos, chegam a uma conclusão. Jogar no Orlando Stadium, um dos maiores estádios da cidade de Joanesburgo, na África do Sul, foi o melhor momento da sua participação no torneio mundial de futebol sub-12 Danone Nations Cup. Afonso e Jacinto fazem parte da Millennium Team, a equipa que representou Portugal na final do ano passado da competição. Sentiram-se uns verdadeiros campeões ao conquistarem o 11.º lugar frente a 40 equipas de outros países.
A viagem à África do Sul só foi possível porque venceram a fase nacional do torneio em que participaram 136 equipas. As inscrições para a próxima edição estão abertas até 15 de Março. Afonso e Jacinto só têm pena de não poderem voltar a participar por já terem sido campeões nacionais. Este ano, a final internacional disputa-se na capital espanhola, Madrid.
As novidades não ficam por aqui. O Danone Nations Cup tem um novo embaixador, o ex-guarda-redes Vítor Baía, um dos jogadores com mais títulos no mundo. Ao todo, venceu 30 troféus. Jogou 16 anos no FC Porto, 3 no Barcelona e também foi guarda-redes da selecção nacional.
Afonso e Jacinto tiveram a oportunidade de entrevistar o jogador. Deixaram a timidez para trás e prepararam uma lista de perguntas que os ajudou a satisfazer a curiosidade sobre o mundo do futebol. Vítor Baía respondeu a todas as questões e ainda deixou um conselho: “A escola deve ser a vossa prioridade.”
JACINTO: O Danone Nations Cup dá a oportunidade de se jogar futebol e representar o País. O que acha do torneio? O futebol transmite valores e princípios muito importantes para os jovens. A amizade, o respeito, a solidariedade, o fair-play, tudo isso são valores que contribuem para o crescimento e educação de jovens como vocês.
JACINTO: Sempre jogou a guarda-redes desde o início da sua carreira? Sim. Às vezes jogava a avançado, mas só com amigos. Em torneios, mesmo na equipa da zona onde eu morava, em Leça da Palmeira, já era guarda-redes. Tive sempre um fascínio muito grande pela posição. É algo que nasceu comigo. Depois de tantos anos de competição, posso afirmar que nasci mesmo para ser guarda-redes.
AFONSO: Quais são as diferenças entre um guarda-redes e ou outros jogadores? Os guarda-redes são os jogadores mais completos da equipa. Têm de dominar todas as técnicas que um jogador necessita em campo, mais a componente de guarda-redes. Precisam de saber jogar com as mãos e de ter uma capacidade física melhor que os outros jogadores, porque a posição de guarda-redes é muito exigente.
AFONSO: Como era ser capitão de uma equipa sénior como o FC Porto? É uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo é um orgulho. Quando chegamos a esse patamar, temos de ser um exemplo para todos os outros. O capitão é um líder e uma pessoa amiga. Tem de ser um digno representante de todos os jogadores da equipa.
JACINTO: O que sentiu quando se retirou do futebol? Fui-me preparando, mentalizei-me. Mesmo assim, nenhum jogador está preparado para deixar o futebol. Custou um bocadinho, mas encontrei logo outras formas de me entreter. Fui tirar um curso superior de gestão do desporto, que já terminei, e isso ajudou-me a ultrapassar a nostalgia de não ser mais jogador de futebol.
AFONSO: O que é preciso para ser um jogador de futebol profissional? É preciso ter jeito e um bocadinho de sorte. Depois é ir à luta. O espírito de sacrifício, a entrega e a dedicação também são muito importantes.
Danone Nations Cup
À procura de craques
As inscrições no torneio estão abertas até dia 15. As equipas devem ter o máximo de 14 elementos e um treinador adulto. São admitidos jogadores nascidos entre Janeiro de 1999 e Dezembro de 2000. Na primeira fase do campeonato, as equipas da mesma região jogam entre si. Depois, as campeãs regionais disputam a final nacional. A grande vencedora viaja em Setembro até Madrid, Espanha, para discutir o título de campeã mundial sub-12.
Lê o resto da entrevista e descobre os recordes de Vítor Baía na revista deste mês!