De cada vez que um robô em Westworld morre, a sua memória é apagada e ele volta à vida. Com o tempo, o pequeno grupo que se apercebeu do mecanismo aprendeu a manipulá-lo para tentar escapar do parque onde estava preso para entretenimento dos humanos. É mais ou menos isso que a série de televisão da HBO tentará fazer na terceira temporada, com estreia marcada para esta segunda, 16. Esqueça os cowboys e os índios. Depois de duas temporadas dentro do parque, podemos finalmente ver como funciona o mundo cá fora. Uma versão futurista da nossa realidade atual, que cruza Blade Runner com uma versão light de Black Mirror. Dolores troca a roupa de faroeste por vestidos de cocktail e a sua ambição de ser livre pelo desejo de vingança.
É raro uma série desta dimensão reinventar-se assim. Mas talvez a sua versão anterior tivesse chegado ao fim da estrada. Westworld insere-se na tradição, inaugurada por Lost, de séries que vivem do puzzle. O enredo é um cubo de Rubik que tem de ser resolvido pelo espectador, exigindo sucessivos rewinds e umas quantas pesquisas no Google. Há milhões de apaixonados por esta televisão–desafio, mas acompanhá-la pode assemelhar-se a fazer parkour por um percurso de obstáculos, em que os argumentistas estão sempre a pregar rasteiras (quantos “ah, afinal ele era um robô!” é possível enfiar em dez episódios?). Na terceira temporada, os criadores da série tentam puxá-la de volta à terra. Talvez porque as respostas que tinham para dar não fossem muito interessantes, trocaram as perguntas filosóficas – “o que é ser humano?” – por mais ação. Há novos vilões e empresas maléficas e um Aaron Paul (ex-Breaking Bad) traumatizado e com “cenas” para resolver, que é a melhor versão de Aaron Paul. Depois de baralhadas as peças do puzzle Westworld, talvez seja possível finalmente ver se elas encaixam.
Westworld > Estreia 16 mar, seg