Frank Sinatra e Edith Piaf nasceram com poucos dias de intervalo, em dezembro de 1915. O que é que, além disso, os aproxima? Duas vozes que ficaram para a história, duas vidas que justificaram plenamente, em 2015, a celebração, um pouco por todo o mundo, do centenário do seu nascimento. Algo que, nos primeiros anos de vida de cada um, ambos filhos de emigrantes, com sangue italiano, cada um no seu lado do Atlântico, parecia absolutamente improvável…
O centenário no nascimento de Frank “the voice” Sinatra tem sido mais mediático do que o de Edith “pequeno pardal” Piaf. Mas vale a pena voltar a estas preciosas e velhas canções. Elas transportam-nos invariavelmente para uma Paris que, decididamente, já não existe, mítica e real, nem sempre feliz. A carreira de Piaf começou nas ruas de Pigalle onde foi descoberta (por Louis Leplée que a levaria para dentro das paredes de um cabaret e a batizou com a alcunha que se lhe colaria por toda a vida, “la môme Piaf”).Este disco duplo é uma excelente maneira de recordar, e reviver, a voz e os dons de interpretação da cantora que conquistou o mundo e morreria relativamente jovem, aos 47 anos, vítima de uma vida intensa e alguns excessos (álcool, morfina…). Estão aqui todos os títulos clássicos que a imortalizaram (La Vie en Rose, Millord, Sous le Ciel de Paris ou Johnny, Tu N’Est Pas un Ange, Mon Manège à Moi) e muitos outros, até à sua derradeira gravação, do ano da sua morte, 1963, L’Homme de Berlin. Apesar de ter ido várias vezes aos Estados Unidos e de se ter tornado, praticamente, uma habituée dos grandes palcos de Nova Iorque (a última canção desta coletânea é, aliás, o clássico Les Feuilles Mortes cantado também em inglês) não consta que alguma vez tenha colaborado com Sinatra… Mas vendo bem as coisas as suas canções até têm sólidos pontos em comum: o amor e uma doce tristeza que muitas vezes lhe está associada… Em 1952, Edith Piaf gravava Je T’Ai Dans la Peau (música de Gilbert Bécaud composta para ela) ecoando aquele I’ve Got You Under My Skin, de Cole Porter, que Sinatra cantou pela primeira vez em 1946…
Recorde Edith Piaf a cantar La Vie en Rose