Não temos dúvidas de que os livros se reproduzem – e muito rapidamente. Se calhar, fazem-no sozinhos como as estrelas-do-mar, embora mais facilmente os imaginemos a acasalar do que a perder páginas que se regeneram e dão origem a novos livros.
Ainda assim chega o tempo em que os jacarandás tingem a cidade de um azul-arroxeado e lá vamos novamente até ao Parque Eduardo VII, prontos a perdermo-nos no sobe-e-desce que resulta em mais alguns livros comprados entre encontros com autores, amigos e farturas.
Na Feira do Livro de Lisboa, Mia Tomé gosta de tirar fotografias com escritores e tem uma particularmente bonita ao lado da sua melhor amiga e das autoras de Uma Aventura. Com determinados amigos, Joana Barrios escolhe ir à noite “em busca de leituras impossíveis”. Anabela Mota Ribeiro procura o espaço das editoras independentes e compra livros para oferecer, “para partilhar o prazer da leitura e da descoberta”. E Patrícia Portela sai sempre de lá com “autógrafos farturados”, como ela e o editor Zeferino Coelho lhes chamam.
Este ano, mantêm-se os 350 pavilhões e cerca de 900 chancelas editoriais. Há sessões de autógrafos, apresentações de livros, debates e encontros com autores, workshops para todas as idades, música ao vivo nas noites de sexta-feira, sessões de cinema aos sábados à noite e experiências de leitura silenciosa. Além dos livros do dia, regressa a Hora H, no fecho da feira, com descontos de 50% em edições com mais de dois anos.
Com tanta coisa a acontecer, vale a pena espreitar as 30 sugestões + 3 que aqui vos deixamos.
Parque Eduardo VII > seg-qui 12h-22h, sex e véspera fer 12h-23h, sáb 10-23h, dom e fer 10h-22h > entrada livre > até 14 junho
Rosa Pomar
Artista plástica e artesã
Normalmente, quando gosto muito de um livro compro vários exemplares – às vezes, de uma vez só – para poder oferecê-los aos amigos. Isto, em parte, porque algures na minha vida de leitora descobri que partilhar livros com aqueles de quem se gosta é um grande prazer da vida, mas que emprestá-los é demasiado arriscado. Este ano, na Feira do Livro vou comprar pelo menos três livros muito recentes, dois deles com esse intuito.
Período
Patrícia Lemos
Esta é nova versão, a 12.ª edição, desta vez revista e aumentada. Quando o livro saiu inicialmente, ofereci um exemplar a cada uma das minhas amigas com filhas pequenas, mas entretanto há mais amigas e mais filhas, e a literacia do corpo é um poder que desejo a todas.
Booksmile, 112 págs., €13,95

Lisístrata
Aristófanes
A propósito de poder e de corpo, também quero oferecer a recém-publicada Lisístrata, de Aristófanes, traduzida pelo João Constâncio, a três amigas que não vejo há demasiado tempo. Este livro entrou na minha vida porque tive a sorte de ser chamada pelos editores mesmo no final da revisão do texto. Pediram-me uma opinião sobre algum vocabulário presente numa cena central da peça em que Lisístrata explica como se deve governar a cidade usando como metáfora os passos do trabalho manual da lã. Naturalmente, fiquei apaixonada.
Edições do Saguão, 344 págs., €17

Um Cento de Cestos
Fatima Durkee e Astrid Suzano
E por falar em trabalho manual, não de lã mas de outras fibras que se trabalham com as mãos, estou muito curiosa para ver o livro-catálogo Um Cento de Cestos, acabado de sair, mas infelizmente publicado já depois do fim da exposição (criada pelo projeto Passa ao Futuro para o Museu de Arte Popular, em Lisboa). Temos livros e investigação a menos sobre as nossas técnicas e os nossos objetos de produção artesanal, e os estudantes de design demasiado distantes dos acervos dos museus, por isso fico particularmente contente que este catálogo veja finalmente a luz do dia.
Imprensa Nacional, 328 págs., €28

Júlio Machado Vaz
Psiquiatra e professor
Raramente fui à Feira de Lisboa e este ano não será exceção, mas vou à do Porto. O meu ritual é típico de um preguiçoso, faço um dois em um! No dia em que vou assinar autógrafos, chego um bom bocado mais cedo. Passeio por entre as tílias do “meu” Palácio de Cristal (terminologia de velho tripeiro…). Mexo nos livros porque isso continua a dar-me prazer; folheio-os; namoro-os. Compro alguns. E cumprimento amigos, faço questão de sempre passar pela Relógio d’Água, foi com o Francisco Vale que tudo começou há cerca de 35 anos. Depois, empunho a caneta e agradeço a quem me lê ou oferece a outros para o fazerem. Se os alunos fizeram o professor, os leitores deram ânimo ao escrevinhador.
Golpe de Estado
Ernesto Rodrigues
Estou a ler este livro do Ernesto Rodrigues, que recomendo pela habitual qualidade da escrita, em que o rigor e a elegância se casam maravilhosamente, mas também pela sua triste atualidade.
Gradiva, 264 págs., €15

Mais Além
Gonçalo Cadilhe
A seguir, tenciono ler o novo livro do Gonçalo Cadilhe. Pelo fascínio que as viagens (exteriores e interiores…) me despertam e pela impossibilidade de resistir a um livro com um capítulo intitulado A importância dos Beatles na Teoria da Evolução!
Contraponto Editores, 208 págs., €17,70

O Fim dos Estados Unidos da América – Epopeia
Gonçalo M. Tavares
Por fim, pausadamente e invadindo as minhas férias em Cantelães, vou atirar-me a O Fim dos Estados Unidos da América. O Gonçalo M. Tavares sempre me deliciou e, de resto, o meu filho Guilherme aconselhou o livro e confio muito na sua opinião.
Relógio d’Água, 912 págs., €28

Patrícia Portela
Escritora e artista
As feiras do livro são, cada vez mais, o verdadeiro sítio de encontro, de pensamento e de poesia enquanto maneira de estar no mundo de quem resiste a “comprar tudo feito”. A de Lisboa está sempre na minha agenda, é obrigatório ir pelo menos num dos dias, e comer uma fartura [Risos] e vir de lá com autógrafos farturados, como eu e o editor Zeferino Coelho lhes chamamos. É uma reunião de leitores e escritores muito especial e única e faz todo o sentido que seja nesta altura do ano. As aulas estão a acabar, ainda não é bem verão, o ano já vai a todo o vapor em direção aos seus sonhos… Maio é o esplendor dos meses do ano. O que eu vou querer trazer de lá…? Acabo muitas vezes por oferecer muitos dos livros que tenho quando gostei de os ler. Um livro não deve ficar fechado em casa, sozinho, sem ser lido outra vez; por isso, e se me permitem, proponho aqueles que devíamos ter sempre por perto para oferecer. Podemos fazê-lo em duetos/casais? Então aqui vão:
Por Dentro do Chega
Miguel Carvalho
Objectiva, 752 págs., €20,95

Álvaro Cunhal,
Uma Biografia Política
José Pacheco Pereira
Porque as investigações rigorosas e factuais são muito importantes e a realidade anda muito baralhada consigo própria.
Temas e Debates, 500págs., €19,90

Lavoura Arcaica
Raduan Nassar
Companhia das Letras, 176 págs., €15,45Caminho, 256 págs., €21,90

Poesia Reunida
seguido de Água Selvagem
Ana Paula Tavares
Depois, sugiro dois Prémios Camões que, mesmo que não fossem premiados, consideraria dois dos melhores escritores de sempre (ambos em língua portuguesa, vejam lá a nossa sorte!). O livro de Raduan Nassar é um cruzamento entre tecelagem e filigrana literárias (há poucos escritores que escrevem assim). E o de Ana Paula Tavares, com uma capa linda de morrer a partir de um desenho de Luandino Vieira, tem poemas que são setas dirigidas ao coração, mas para o acordar, não para o matar.

Contos Completos 1
Julio Cortázar
Cavalo de Ferro, 800 págs., €28,45Edições Rolim, 230 págs., em alfarrabistas

Os Pregos na Erva
Maria Gabriela Llansol
E mais este dueto: qualquer livro de Julio Cortázar, mas escolho Os Contos Completos 1, que saíram há pouco tempo, para manter o músculo da imaginação em forma e o vocabulário enxuto e variado; e Os Pregos na Erva, de Maria Gabriela Llansol, para ter a alma em forma ligada ao corpo e à magia que é vivermos por esta ordem: do nascimento até à morte.
Edições Rolim (reedição) 230 págs.

Cláudia Lucas Chéu
Escritora e dramaturga
Não me lembro da idade que tinha quando passeei pela primeira vez pelas trincheiras de livros. Sei que o meu olhar andava ao nível das prateleiras e das cinturas dos adultos e que, certamente a custo, em bicos dos pés, consegui espreitar as imagens das capas dos livros, ali deitados, indiferentes a potenciais compradores. Sei que não sabia ler. Lembro-me do espanto diante da quantidade de pessoas. Uma enchente de pernas adultas. O mais parecido que tinha visto talvez fosse a Festa do Avante!, aonde também fui levada pelos meus pais, dois jovens com menos de um quarto de século, mais adeptos das festas do que dos livros ou da política. Sei que comecei a ir à Feira todos os anos desde a adolescência. É um dos eventos mais bonitos na cidade de Lisboa. Três sugestões que podem encontrar por lá:
Contar Uma História
John Berger e Susan Sontag
Um diálogo entre dois grandes pensadores contemporâneos que foram amigos mais de 25 anos. Vale a pena ouvi-los por escrito através de cartas pessoais, gravações e bastidores de um filme homónimo.
Relógio D’Água, 168 págs., €18

Hoje, 3 de Maio
Patrícia Portela
Tem uma premissa muito curiosa: trata-se de um romance escrito a partir do quadro Os Fuzilamentos de Três de Maio, de Goya. Os livros da Patrícia Portela surpreendem sempre pela forma e pelo conteúdo. Para mim, é uma das autoras mais inquietas do nosso meio literário. Uma novidade literária que terei o gosto de apresentar na Feira do Livro, no dia 10 de junho.
Caminho, 400 págs., €22,90

Velas de Ignição
Durs Grünbein
Alguém disse que esta coletânea de 83 poemas “não é uma edição, é uma alegria” e eu concordo. Grünbein é um dos mais reconhecidos poetas atuais e uma voz incontornável na poesia europeia.
Edições do Saguão, 276 págs., €17

Mia Tomé
Atriz e cantora
Adoro encontrar os autores, pedir que me assinem os livros. Acho incrível a possibilidade de agradecer diretamente a alguém, por nos ter acompanhado através da escrita. Há sempre uma fotografia que gosto de fazer com certos autores. Tenho uma muito bonita com a minha melhor amiga e com as autoras de Uma Aventura, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Costumo dizer que eu e ela somos a dupla de aventuras porque partilhamos os nomes das autoras (Isabel e Ana Maria que é o meu nome de Cartão de Cidadão). Vamos ver este ano qual será a fotografia que vou conseguir! Expectativas muito altas.
Moby Dick
Herman Melville
Gravei recentemente Moby Dick em formato audiolivro, na Tale House, no âmbito de um projeto que irá disponibilizar gratuitamente clássicos da literatura ao público português, já em setembro. Foi um processo muito bonito, que me fez mergulhar totalmente na obra. Fiquei fascinada pela dimensão humana do livro, o mar, as viagens pelos oceanos, a obsessão cruel e o desconhecido. Curiosamente, quando comecei a gravar tinha acabado de chegar do Massachusetts, precisamente onde o livro começa, adoro estas coincidências. Quero muito comprar a edição da Relógio d’Água, uma daquelas edições para guardar e voltar a ela ao longo da vida.
Relógio d’Água, 614 págs., €25,50

Futebol ao Sol e à Sombra
Eduardo Galeano
Foi-me sugerido recentemente por um amigo. Gosto de futebol, gosto de ir ao estádio e vibrar com aquela energia coletiva, acho que pode ser um lugar de comunhão, respeito e celebração, esse lado entusiasma-me muito. Interessa-me a forma como o futebol também pode ser poesia, memória e identidade popular. Falaram-me dele como uma declaração de amor, em que o autor realça histórias de vida, política, paixão e identidade. Ainda para mais, escrito por quem é, um dos escritores mais marcantes da América Latina, lugar onde o futebol tem uma dimensão incrível (os meus jogadores preferidos são todos de lá). Fiquei muito entusiasmada com esse título, mal posso esperar.
Antígona, 320 págs., €18

Devoluto
Raquel Serejo Martins
A Raquel é uma das minhas autoras preferidas. Adoro a forma como escreve poesia e como consegue tornar simples ideias difíceis de explicar. Muitas vezes, quando leio os livros dela, penso: quem me dera ter sido eu a escrever isto, é exatamente isto que estou a sentir! Há uma proximidade na escrita dela que me toca muito. Como a poesia tem sido quase casa para mim nos últimos anos, este é mesmo um dos títulos que quero trazer da Feira do Livro. Estou muito curiosa para ler este novo lançamento.
Abysmo, 88 págs., €10

Anabela Mota Ribeiro
Jornalista e escritora
Na feira vou sempre às chamadas pequenas editoras, e acho indispensável a existência deste espaço. Penso que devem ser não só acolhidas como promovidas e incentivadas, porque já é tão difícil a sua presença junto dos leitores, nomeadamente no circuito mais convencional das livrarias, o que seria se não fosse este espaço nas feiras.
A Viagem Inútil
Camila Sosa Villada
Vou pedir um autógrafo à Camila Sosa Villada, que por acaso é também uma autora Quetzal neste segundo livro que é a tese de uma domesticação. É uma escritora argentina que admiro muito. Conhecia-a na FLIP, em Paraty, há dois anos, e nesse ano li o As Malditas e fiquei assombrada. Foi um dos melhores livros que li nesse ano. Então, estou muito contente por poder reencontrá-la e quero muito vê-la, ela é magnética.
Quetzal, 104 págs., €14,40

Vida, Velhice e Morte de uma Mulher do Povo
Didier Eribon
Quero comprar para oferecer, porque já tenho, o livro do Didier Eribon que aqui foi editado pela Zigurate. O Eribon vem cá daqui a um mês, mais ou menos, e vou falar com ele no Festival de Filosofia Espanto, em Cascais. A escrita e o pensamento dele interpelam-me tanto que quero comprar para oferecer. Então, nesta escolha, no fundo, estão duas coisas: procurar o espaço das editoras independentes e comprar para oferecer, para partilhar o prazer da leitura e da descoberta.
Livros Zigurate, 226 págs., €19,60

Hoje, 3 de Maio
Patrícia Portela
Para terminar, a escolha de uma autora portuguesa. Estamos num ótimo momento, muito fértil, da criação em Portugal. Há muitas mulheres a fazerem coisas sensacionais nas artes plásticas, no cinema, na literatura, e interessa-me cada vez mais a transdisciplinaridade. Então, vou sugerir o livro da Patrícia Portela não só por ser uma novidade, mas porque ela é uma criadora que se exprime sobretudo na escrita, mas também no teatro e na performance, e isso é muito interessante. O livro parte do quadro do Goya e do grande acontecimento de Madrid a 3 de maio, portanto vai ao encontro da pintura e da História. E é uma forma de incentivar: leiam autores portugueses, vejam filmes portugueses, vejam exposições de autores portugueses. Por favor, acabemos com essa ideia de que os de fora é que são bons.
Caminho, 400 págs., €22,90

Cláudia Jardim
Atriz e diretora artística
Faço sempre um passeio de família com o meu pai e a minha filha, adolescente. Já antes ia com os meus pais e é um ritual que mantenho, habitualmente a uma sexta-feira ou a um sábado e ao fim da tarde, quando está menos calor. É sagrado. Gosto de ir de uma ponta à outra, para ter uma ideia geral e ficar a saber onde está esta ou outra editora. Depois, faço umas escapadinhas à hora do almoço ou, se sei que há um determinado livro em promoção, também lá vou lá propósito. Aproveito imenso os livros do dia, mas acabo por trazer mais um livro ou outro.
Buracos Negros As Letras
Diogo Bento
Ler o Diogo Bento dá-me um sentido de pertença que não está ligado a uma ideia de geração ou de proximidade afetiva, mas à certeza de ter um contemporâneo. Neste que é o seu primeiro livro a solo, o Diogo atira-se à ficção autobiográfica com uma coragem e uma liberdade avassaladoras. Há muito tempo que não lia um livro assim.
Editora Urutau, 238 págs., €16

Dobra
Adília Lopes
Uma obra fundamental, a que volto sempre. Entre gatos, baratas, tabelas periódicas, pessoas com nome completo, as vizinhas, as outras raparigas, os namorados sonhados, a Faculdade de Letras ou o que se vê da janela, Adília confronta-nos com a crueza da simplicidade. Ler Adília é deixarmo-nos espantar pelo mundo no que ele tem de terrível e de belo.
Assírio & Alvim, 1056 págs., €44

Porque Não Houve Grandes Mulheres Artistas?
Linda Nochlin
Enquanto mulher e artista, descobrir este livro fez-me repensar a maneira como fazemos as perguntas, porque elas também enformam as respostas. Se é verdade que não há perguntas erradas, também é certo que a maneira como enunciamos a dúvida pode já conter em si um caminho condicionante de resposta. Não há grandes mulheres artistas ou a história hegemónica não as guardou?
VS. Editor, 134 págs., €45,70

Joana Barrios
Atriz, autora e apresentadora
Ir à Feira do Livro é um gesto que repito várias vezes com diferentes companhias, por isso ritualizado de diferentes formas. Se for na companhia das minhas crianças, procuramos mais o que lhes agrada, que neste momento são bandas desenhadas, manga ou os livros para a adolescência da Planeta Tangerina. Se for com determinados amigos, vamos à noite e em busca de leituras impossíveis. Às vezes, tem graça apanhar lançamentos ou atividades muito específicas, com os seus públicos também muito específicos, porque é maravilhoso ver como no mesmo lugar convergem tantas pessoas tão diversas em torno de um mesmo objeto: o livro.
Na Casa da Minha Mãe
Anabela Mota Ribeiro
Quero comprar o novo romance da Anabela Mota Ribeiro, não só porque tenho profunda admiração pessoal pelo trabalho dela, mas sobretudo porque, após um primeiro romance como O Quarto do Bebé, o que se segue promete ser apaixonante.
Quetzal, 232 págs., €17,70


Adeus, Princesa
Clara Pinto Correia
Desejo encontrar, também, um ou mais exemplares deste livro da Clara Pinto Correia, um romance que me marcou muitíssimo e que desejo tornar a ler e possuir. Eu, que não sou pessoa de querer conservar livros, porque o que valorizo neles é a possibilidade de andarem de mão em mão, vejo-me assim em relação a esta obra.
Clube do Autor, 332 págs., €15,80
Os Mamíferos, as Aves e os Peixes
Manuel Bívar
Recomprarei mais exemplares deste livro. É um dos meus livros favoritos dos últimos anos e estou sempre a tentar comprar mais um para substituir o que acabo de dar a alguém que tem mesmo de o ler.
Língua Morta, 122 págs., €13

Nuno Saraiva
Ilustrador e cartoonista
Curiosamente, na Feira, fixo-me mais nas poucas bancas de alfarrabistas, em busca de livros que ando há anos à procura ou para completar coleções. Este ano, também vou lá estar enquanto coautor do livro Vizinhos (Edições Asa), quatro situações de conflito imaginadas pela Ana Bárbara Pedrosa que falam de violência, racismo, homofobia e solidão. A apresentação é no dia 7 de junho, um domingo, da parte da tarde, no espaço da Leya.
Não Pode Haver Neutros!
António Amaral
É uma novidade que me interessa por uma circunstância. No famoso comício de Almada, em agosto de 1975, o Vasco Gonçalves, sabendo que vai ser afastado, faz uma espécie de apelo à revolta. Isto ficou-me na cabeça porque eu estava às cavalitas do meu pai mesmo em frente ao palco. Tinha 6 anos e nunca senti tanto medo, foi assustador ver aqueles punhos erguidos, sentir que havia ali ódio, sem compreender muito bem o que estava a acontecer.
Tinta-da-China, 192 págs., €17,90

Rare Flavours
Filipe Andrade e Ram V
Da minha lista faz parte, também, este livro ilustrado pelo Filipe Andrade e escrito por Ram V, que na recente edição portuguesa tem o subtítulo Uma Viagem aos Sabores de Rubin Baksh. É a história de um demónio que quer ser o novo Anthony Bourdain. O Filipe Andrade já tinha sido nomeado para os Prémios Eisner, os Oscars da BD, e voltou a estar nomeado em 2025 com este livro (na categoria de Melhor Desenho).
Kingpin Books, 160 págs., €29,99

A Península das Casas Vazias
David Uclés
Estou curioso com este romance passado durante a Guerra Civil espanhola. O autor é fã de Saramago e a capa do livro [um detalhe do quadro La Romería, de 1959, do pintor Rafael Zabaleta] é lindíssima.
Dom Quixote, 688 págs., €29,90

Cláudia Varejão
Realizadora
A minha ida anual à Feira do Livro não tem sempre os mesmos objetivos. Tanto vou para encontrar livros recentes como posso ir à procura de edições passadas que fui adiando a leitura. Ir à Feira do Livro não é só ir ao encontro dos livros. É um encontro também com a cidade. Vou geralmente a pé e essa caminhada é, em si, parte fundamental do ritual. Ir e vir faz parte do encontro com os livros. E como a feira acontece numa das estações mais bonitas de Lisboa, a primavera, costumo ir ao final do dia, na hora mágica, quando o dia se transforma em noite, e as cores e os cheiros da cidade nos transportam para a metamorfose da vida. Acabo sempre por trazer mais livros do que planeio, porque me deixo levar pelo inesperado do real. É como fazer filmes, o que dita é a experiência, não tanto o guião. Em todo o caso, este ano queria trazer para casa:
Vida, Velhice e Morte de uma Mulher do Povo
Didier Eribon
Um livro que li na versão francesa, reli depois em português, e agora queria oferecê-lo a alguns amigos que, como eu, vivem o doloroso processo de envelhecimento da mãe.
Livros Zigurate, 226 págs., €19,60

Assombrada
Shaghayegh Moazzami
Ando numa fase de leitura de banda desenhada e, sobretudo, de autoras mulheres. Shaghayegh Moazzami é uma autora iraniana, da minha geração, com um percurso de vida altamente marcado pela opressão e pela perseguição das mulheres do seu país. Vive agora no Canadá e sabe que, por força do seu trabalho crítico, não pode voltar ao Irão. Este livro é um retrato autobiográfico.
Levoir, 224 págs., €17,90

O Diabo está nos Detalhes
Leïla Slimani
Acompanho a escrita da Leïla Slimani desde os seus primeiros livros. Às vezes, leio primeiro as versões francesas, mas desta vez esperei pela tradução. A sua escrita ecoa em muitos interesses meus, desde logo o lugar da mulher estrangeira e a solitude nesse deslocamento, evocando as feridas do colonialismo e das heranças familiares.
Alfaguara, 112 págs., €16,25

