Há certas cidades que parecem nascer já com uma metáfora embutida no nome. O Entroncamento é uma delas: cruzamento de linhas ferroviárias, ponto de passagem de gentes e mercadorias, lugar onde os comboios param antes de seguir viagem. Durante décadas, foi sobretudo isso: um nó ferroviário no meio do Ribatejo. Mas também um pequeno laboratório social português: mistura de militares, ferroviários, migrantes, trabalhadores precários e juventudes que cresceram entre promessas de mobilidade e uma certa sensação de estagnação. É precisamente a esse território simbólico que o realizador português Pedro Cabeleira decidiu regressar para filmar Entroncamento, a sua segunda longa-metragem (140 min), que agora chega às salas nacionais depois de ter passado por festivais internacionais e pela secção ACID do Festival de Cannes 2025.
Uma cidade que é mais do que um ponto de passagem
