O Aqui Há Gato abriu em maio, no sítio onde está, quase em frente ao Palácio de Cristal. Tem gatos nas traseiras, como qualquer quintal que se preze no Porto, mas o nome deve-o a uma certa coleção de felinos inanimados que se encontra espalhada por toda a bonita casa de inícios do século passado.
Este, porém, é já o segundo capítulo de um projeto que tem como peça central as oficinas, contínuas, com uma particularidade que convém realçar. A partir dos 12 anos, qualquer pessoa pode fazer parte dos grupos (que têm no máximo 14 elementos), independentemente da faixa etária, o que permite que haja pais e filhos a frequentar a mesma aula.
“No teatro, por exemplo, temos alunos dos oito aos 80. É muito enriquecedor, porque mais do que com textos trabalha-se com a experiência de vida de cada um”, explica Patrícia Santos, a mentora do projeto.
Além da expressão dramática, há oficinas de artes plásticas, dança (das tradicionais do mundo às africanas e latinas, passando pelo hip-hop e pelo movimento africano), tai-chi, instrumentos vários (guitarra, baixo, concertina, piano, bateria, percussão africana). E a lista aumentará em breve com capoeira, dança de fusão e construção de marionetas.
Mas dizíamos nós que este é já o segundo capítulo. O primeiro foi escrito no Carvalhido, a partir de março de 2010, quando Patrícia, licenciada em Artes Plásticas, decidiu que era cedo de mais para desistir de fazer aquilo para que estudara. “Estava a trabalhar em coisas que não tinham nada a ver com a minha área e quis investir no que gosto”, explica. Apesar da crise.
O pilar da história (as tais oficinas) mantém-se. Mas a mudança de cenário, de um rés-do-chão para uma casa, propiciou outros voos. Assim, reservaram-se para as oficinas as salas amplas do primeiro e segundo andar, algumas com varandas em ferro forjado, que têm vistas ora para as árvores das traseiras ora para os jardins do Palácio. E deixou-se o rés-do-chão (logo a seguir à lindíssima escadaria de madeira que, com os seus vãos todos diferentes, deixa maravilhado quem por lá passa) ao bar, que se estende para a esplanada.
João Cardoso, o namorado de Patrícia, acabou de se despedir do emprego que tinha para se dedicar a cem por cento ao projeto. Formado em Hotelaria, é ele o responsável pela lista com uma série de petiscos (tábuas de chouriço, presunto, queijo, enchidos; caracóis; tostas várias em pão da aldeia…) e bebidas, com especial atenção ao que é nosso (ginjinha de Óbidos, licor de poejo, poncha madeirense…).
A mesa corrida ao fundo do quintal, entalado entre muros de granito e sombreado pelas árvores dos quintais vizinhos, é para os churrasquinhos (feitos a pedido, por pré-marcação para grupos). Aos sábados à noite, pelo menos uma vez por mês, a esplanada tem um extra à espera dos visitantes atuações dos alunos que frequentam as oficinas.
No mínimo poderá contar com um espaço acolhedor que o leva ao campo no centro da cidade e com uma musiquinha ambiente bossanova, jazz, blues, um rock de vez em quando.
AQUI HÁ GATO
R. D. Manuel II, 222 (ao Palácio de Cristal), Porto
T. 91 206 6377/91 947 2063
Seg-Ter 10h-24h, Qua-Qui 10h-02h, Sex-Sáb 10h-04h
Oficinas €20-€80/mês