Um novo estudo publicado na revista científica The American Journal of Psychiatry sugere que a genética pode ser um bom indicador na identificação de pessoas com tendências suicidas. A investigação, focada nas ligações genéticas entre as tentativas de suicídio e os fatores que influenciam a saúde física e comportamental, foi liderada por cientistas do Instituto Huntsman de Saúde Mental da Universidade do Utah, EUA, e envolveu especialistas de diferentes institutos de medicina mundiais. Ao todo, foram analisados dados de vinte e duas populações e identificadas 112 variações genéticas relacionadas com a tendência para o suicídio. Este foi o maior estudo genético sobre o risco de suicídio até à data.
Para a investigação foram analisados dados recolhidos pelos programas Million Veteran Program e International Suicide Genetics Consortium e cruzadas informações de 43 871 tentativas de suicídio e 915 025 dados genéticos que ajudaram os investigadores a identificar as 12 variações. Os especialistas compararam depois os resultados com mais de mil características e perturbações – como condições psiquiátricas, físicas e comportamentos – e determinaram que as variantes genéticas ligadas à tentativa de suicídio também estão ligadas a outras condições de saúde, como dores crónicas, perturbação de hiperatividade e défice de atenção e doenças pulmonares e cardíacas, mas também com tendências como a como a impulsividade ou o tabagismo.
“Isto permitiu-nos ver como o risco genético de suicídio se sobrepõe ao risco genético de depressão, doenças cardíacas e muitos outros fatores de risco. O estudo revelou uma sobreposição significativa com problemas de saúde mental, mas também com muitos problemas de saúde física, em especial no que se refere ao tabagismo e a doenças relacionadas com os pulmões. Isto é algo que não podemos necessariamente ver nos registos médicos das pessoas que morrem por suicídio”, explicou Docherty.
Contudo, os investigadores notaram que a causa do suicídio não está relacionada com um gene isolado ou específico. O risco surge da acumulação de genes diferentes que, quando combinados com outros fatores de saúde, podem levar a uma maior tendência para comportamentos de risco, como o suicídio.
Os especialistas envolvidos no estudo esperam agora que estas descobertas possam levar a uma melhor compreensão das causas biológicas do suicídio e a melhorias nas estratégias de prevenção, ao ajudar médicos e investigadores a identificar pessoas que possam necessitar de apoio psicológico mais cedo. “Muitas pessoas que morrem por suicídio têm problemas de saúde significativos associados a esse risco. Se pudermos utilizar a informação genética para caraterizar os riscos de saúde das pessoas que tentam o suicídio, poderemos identificar melhor os pacientes que necessitam de contacto com o sistema de saúde mental”, referiu Docherty.