Cientistas declararam na passada sexta-feira que o último ano foi o mais quente na terra desde que se começaram a documentar esses registos, em 1880.
Um calor extremo cobriu o Alaska e uma grande parte do lado ocidental dos Estados Unidos no ano passado, sendo os recordes documentados sob vastas áreas de continente inabitado. A superfície do oceano também se encontrava invulgarmente quente em todo o globo, exceto perto da Antárctida.
É um facto que 2014 ultrapassou 2010 no ano mais quente. Os anos mais quentes dos últimos 10 anos ocorreram desde 1997, uma reflexão do aquecimento planetário, que os cientistas defendem ser uma consequência da atividade humana e que representa riscos a longo prazo para a civilização e a natureza.
“As mudanças climáticas são talvez o maior desafio da nossa geração,” disse Michael H. Freilich, diretor das ciências terrestres na NASA, uma das agências que rastreia as temperaturas globais.
De todas as vastas áreas onde as pessoas vivem, apenas o lado ocidental dos Estados Unidos documentou temperaturas abaixo da média em 2014, contrastando com o calor incomum do Oeste. Pensa-se que estes padrões climáticos são uma consequência indireta da libertação de gases do efeito de estufa, apesar de não haver provas concretas.
Vários cientistas defenderam que o mais curioso acerca dos rastreios de 2014, foi que ocorreram num ano em que não esteve presente o El Niño, um padrão climático de larga escola onde o Oceano Pacífico bombeia uma quantidade de calor enorme para a atmosfera.
Alguns cépticos defendem que o aquecimento global parou por volta de 1998, quando um El Niño invulgarmente poderoso produziu o ano mais quente do século XX.
Agora, a cada quatro ou cinco anos, a temperatura de 1998 é ultrapassada, e o ano de 2014 foi o primeiro ano em que isso sucedeu sem um El Niño significativo. No entanto, Gavin A. Schmidt, chefe do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Manhattan, afirmou que o próximo El Niño irá provavelmente derrotar todos os recordes de temperatura registados.
“Obviamente, um único ano, mesmo que seja um recorde, não nos poderá dizer muito acerca de tendências climáticas,” afirmou Stefan Rahmstorf, chefe da Análise do Sistema Terrestre no Instituto Potsdam de Investigação do Impacto Climático na Alemanha. “No entanto, o facto de que os anos mais quentes registados são 2014, 2010 e 2005, indica claramente que o aquecimento global não ‘parou em 1998’, tal como alguém falsamente alegou.”
John R. Christy, cientista atmosférico na Universidade do Alabama em Huntsville, que é conhecido pelo seu ceticismo acerca da seriedade do aquecimento global, defendeu que 2014 ultrapassou os outros anos com registos de calor apenas por algumas centésimas de grau, dentro da margem de erro das medidas das temperaturas globais.
Apesar dos vários argumentos e teorias apresentadas pelos mais variados cientistas, a grande maioria dos estudiosos do clima defende que a terra se encontra numa tendência aquecedora a longo prazo, que é profundamente ameaçadora e causada quase na sua totalidade por atividade humana.
É esperado que o calor piore bastante nas próximas décadas e já está a devastar florestas no mundo inteiro, levando plantas e animais à extinção e derretendo gelo, o que causa uma subida dos oceanos a um passo extremamente acelerado.
A NASA e a Administração Oceânica e Atmosférica, as duas agências que mantêm estes registos de temperaturas a longo-prazo, emitiram compilações de dados na passada sexta-feira que confirmaram o recorde de 2014. Uma agência japonesa já havia lançado uma informação semelhante no início de janeiro.
Os Estados Unidos definiram um recorde de temperatura em 2012, mas 2014 foi o 34º ano mais quente para os 48 estados ‘de baixo’.
O calor extremo do ano passado no Oeste fez com que o Alasca, Arizona, Califórnia e Nevada estabelecessem recordes de temperatura. Algumas parte da Califórnia não tiveram inverno no ano passado, com temperaturas por volta dos 10 aos 15 graus acima do normal para a estação.
Após 20 anos de negociações globais, poucos progressos foram feitos. No entanto, 2014 viu grandes sinais de mobilização política, quando mais de 300,000 pessoas marcharam em Nova Iorque em Setembro e outras dezenas de milhar ocuparam as ruas noutras cidades ao longo do mundo. O próximo passo será uma reunião dos negociantes em Dezembro, em Paris.