Vivemos numa era em que o movimento deixou de ser uma necessidade e passou a ser uma escolha. Trabalhamos sentados, deslocamo-nos sentados, descansamos sentados. Entre ecrãs, reuniões e rotinas aceleradas, o corpo — que foi desenhado para se mover — permanece longos períodos em inatividade.
Este padrão, muitas vezes normalizado, tem consequências profundas. O sedentarismo é hoje reconhecido como um dos principais fatores de risco para a saúde global, associado a um aumento da mortalidade e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e alguns tipos de cancro. A Organização Mundial da Saúde identifica a inatividade física como uma das principais causas de morte evitável em todo o mundo.
Mas o impacto do sedentarismo não se limita à ausência de exercício físico. A evidência científica tem vindo a demonstrar que é possível cumprir as recomendações de atividade física e, ainda assim, manter um comportamento sedentário ao longo do dia. Ou seja, uma hora de exercício não anula necessariamente os efeitos de várias horas consecutivas em posição sentada.
Do ponto de vista fisiológico, o corpo responde rapidamente à falta de movimento. A atividade muscular reduz-se, o metabolismo torna-se menos eficiente, a regulação da glicose é afetada e os processos inflamatórios tendem a aumentar. A circulação sanguínea abranda, e a capacidade do organismo para manter o equilíbrio entre diferentes sistemas começa a fragilizar-se. Com o tempo, estes pequenos desequilíbrios acumulam-se e contribuem para o envelhecimento biológico.
Na prática e no acompanhamento que realizo, encontro frequentemente pessoas que se consideram ativas porque praticam exercício algumas vezes por semana, mas que passam grande parte do dia sentadas. Este contraste cria uma falsa sensação de proteção. Na realidade, o corpo precisa de estímulo regular ao longo do dia, não apenas de momentos pontuais de atividade.
Importa, por isso, alargar a forma como olhamos para o movimento. Não se trata apenas de treinar — trata-se de integrar o movimento na vida quotidiana. Levantar-se com regularidade, caminhar sempre que possível, optar por escadas, interromper períodos prolongados sentado ou simplesmente aumentar o tempo de deslocação ativa são estratégias simples, mas com impacto significativo.
O movimento é uma necessidade biológica, não uma tendência ou uma opção estética. É através dele que o corpo se regula, se adapta e se mantém funcional ao longo do tempo.
Se a longevidade se constrói todos os dias, talvez seja importante perguntar:
quanto movimento existe, de forma real, no seu dia a dia?
Porque, muitas vezes, não é a falta de exercício que compromete a saúde — é o excesso de imobilidade.
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