Julieta Rueff é o nome da jovem criadora desta invenção: a granada pacífica. Triste ter que existir, mas incrível que exista. Quer dizer, pelo menos eu acho verdadeiramente incrível, e muito mais gente também – a julgar pelas reações e comentários – embora muitos (todos homens) não concordem connosco. De uma coisa podemos ter a certeza: é que, apesar de pacífica, já está a fazer chorar muito homem. Explico.
A granada pacífica é um dispositivo de plástico, não rebenta mesmo, mas também tem uma espoleta, ou seja, o mecanismo que desencadeia a explosão – já agora, por isso é que o termo figurado para desencadear algo é espoletar e não despoletar (parar ou travar). Adiante. A espoleta, neste caso, o que desencadeia é um apito estridente, ao mesmo tempo que via internet e GPS contacta a polícia, e ainda liga o telemóvel a que está conectada fazendo com que comece a transmitir vídeo em direto para os contactos de emergência. E isto serve para quê? Para proteger mulheres atacadas na rua, e fazer homens chorar na internet.
É que vi o reel da notícia, achei maravilhoso e, lá está, infelizmente demasiado útil, sorri e pensei “excelente, Julieta”. Acrescente-se que a Julieta inventou isto depois de ser seguida na rua pelo mesmo homem dezenas e dezenas de vezes. Mas depois fui ver os comentários, e entre toda a congratulação de tanta mulher, lá estava o choro de uns quantos homens. É que quando a maior parte dos homens foi sociabilizada para o “facto” de que macho que é macho não chora, foi-no feito apenas para as emoções que associam às mulheres. Pelos vistos, chorar porque já nem se pode assediar à vontade, sem que as queixinhas das mulheres detonem uma granada de berros e alertem a polícia, isso já é à homem.
Para acabar, deixo só uma questão: será que estes homens que ficam completamente desnorteados, nervosos, histéricos mesmo, ao reagir a uma notícia sobre algo que protege as mulheres de ataques de homens… percebem o quanto isso lhes dá ares de culpado? Até parece mesmo que têm algo a temer. Curioso.
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