Quem é, na Casa Branca, que tem uma autoestima insuflada, delírios de grandeza, comportamentos de risco e humor irritável? Trump, com JD Vance a tentar imitar. Este presidente americano vive apenas para uma promessa: ficar na História com letra grande, muitas páginas e capítulos.
Não interessa como, nem quem, nem de que forma. Ficar na História é marcar a eternidade. Quem, de um só golpe, meteu Maduro na prisão? Quem jura que vai transformar a Gronelândia em território americano? Quem faz um ultimato a Cuba? Quem ameaça a Colômbia e o México? Quem promete castigar a gerontocracia que governa o Irão? Quem quer o Canadá como 51.º estado?
Conseguir tudo isto é fazer História. Não interessa se, na Venezuela, há um vazio de poder ocupado por milícias armadas. Não vale a pena invocar que a base americana na Gronelândia tem hoje 150 soldados, dos 15 mil que teve no auge da Guerra Fria, sem nunca ter enfrentado entraves por parte do aliado Dinamarca. Quem acredita que se derruba um regime teocrático infinitamente entranhado em todo o Irão? Quem sem atreve a atacar a Colômbia ou o México — ou ambos em simultâneo — países com poderes legitimados por eleições democráticas? Quem manda construir um Salão de Baile na Casa Branca a imitar um palácio veneziano? Quem quer a medalha do Prémio Nobel que não lhe pertence?
Trump trabalha apenas para a História e toda a sua narrativa, repetida infinitamente como um credo, é um delírio de grandiosidade «nunca visto» nos Estados Unidos. As oito guerras resolvidas, as petrolíferas a correr para a Venezuela (total reticência!), os biliões do petróleo num país sem lei e a decisão de tomar conta, a bem ou a mal, da Gronelândia — não por interesse estratégico, mas em busca de riqueza inexplorada — são episódios maníacos e dificilmente controláveis.
Os otimistas dizem que era o esperado; os pessimistas acham que tudo isto vai acabar num conflito mundial; e os realistas, ou pragmáticos, suspiram para que passem rapidamente os três anos que ainda faltam da presidência Trump e menos de um ano até poder perder a maioria no Congresso, ficando assim limitado a governar o salão de baile e pouco mais. Como é que um aliado consegue ser o nosso inimigo mais perigoso? Putin? Um santo! Xi? Um anjo!
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