Há um «tiro» que saiu «furado» na arquitetura política do PSD Madeira pós confusão judicial. Miguel Albuquerque entregou, decidido, a carta de demissão ao Representante da República, e estava preparado para dizer qual dos cinco membros do seu Governo deveria ocupar o seu lugar, para evitar a trapalhada de eleições antecipadas.
O juiz Cabral Barreto fez-se de surdo. Ninguém ouviu a conversa, mas não correu de feição. A demissão ainda não foi aceite, o debate final do Orçamento tem de se realizar na próxima semana, e depois serão ouvidos os partidos políticos regionais. Tudo à imagem e semelhança do que aconteceu no continente, com o PM e o Governo nacional.
Desmoralizado, Miguel Albuquerque desconvocou a reunião do PSD, que decidiria o sucessor. Não há substituições, nem Governo para a legislatura. Foi o sinal enviado. Se assim não fosse, o Representante da República teria dado luz verde à solução do PSD/CDS, para alívio do PAN regional. Nada disso aconteceu no Palácio de S. Lourenço.
Sendo assim, o presidente do Governo Regional mantém-se em funções, até um dia destes, e mesmo que não quisesse – o que poderia sempre acontecer – seria chamado a exercer o cargo o presidente da Assembleia Regional, do CDS. Isso terá sido explicitado. E por transitório que fosse, o PSD veria o poder a fugir-lhe das mãos. Nesta embrulhada só novas eleições farão sentido, e essa conclusão saiu de dois palácios: o de Belém, e o de S. Lourenço.
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