Miguel Albuquerque, na sexta-feira, queria dizer, mas não disse, que renunciaria ao cargo de Presidente do Governo Regional da Madeira. Como líder do PSD regional vai escolher o sucessor, que deverá sair do seu próprio Governo. Conviria reler o parágrafo da sua “renúncia”: “por conseguinte, se neste momento, para bem da Madeira, é necessária uma solução de estabilidade governativa, estarei sempre disponível para contribuir para uma boa solução”.
É isto uma renúncia? Não, é uma aparência. Uma ilusão. Uma simulacro. Aliás, Miguel Albuquerque reforça bem a sua disponibilidade para contribuir para uma “boa solução”. Afinal quem decide é o PSD regional, e o seu líder-que-continua-líder.
Presidência e Governo Regional estarão sujeitos ao controlo da maioria social-democrata e do CDS, com o apoio inquestionável do PAN, que acordou horrorizado com a hipótese de eleições antecipadas.
Presume-se que Miguel Albuquerque abandonará o cargo, sim, mas não o poder na Madeira. Trocado por miúdos, é ele que vai dizer ao Representante da República quem quer ver no seu lugar. Maior clareza política não poderia existir.
À Margem: a operação especial levada a cabo pela Força Aérea e PJ na Madeira merece uma explicação pública aos madeirenses e a todo o país. Parecia a invasão russa da Ucrânia. Paraquedistas e «comandos» invadiram a ilha, deixando boquiabertos os seus pares regionais, tanto no sistema judicial, como nas forças policiais. E tal como foram, também partiram: com um detido! Cumpriu-se a melhor de todas as doutrinas militares para um ataque de sucesso: 200 contra 1!
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