O que leva os americanos a eleger, para os cargos mais importantes do seu país, e por tabela do mundo, políticos com 80 ou mais anos, ou à beira de os completar. Trump é o mais novo de cinco exemplares (77 anos, agora), como Biden com 80, Pelosi nos 83, Mitch Mconnel 81, e o caso extraordinário da senadora Dianne Feinstein, com 90 anos. Isto merece um ranking. De velhos mandões, ou que querem continuar a mandar. Cá estará, um dia destes. Sem ofensa para ninguém. Será o ranking de um velho para os muito velhos. Insustentavelmente velhos.
Os Estados Unidos parecem uma monarquia pouco constitucional, ou nada, porque cada um destes políticos tem um poder decisório (tirando o que já teve, e quer voltar a ter) que mexe com biliões de pessoas. Quando é que acaba esta gerontocracia insólita e de duvidosa eficácia? Os americanos, democratas e republicanos, estão inquietos, diga-se. A idade passou a ser o fator mais importante na escolha eleitoral de 2024.
Não querem que Biden se recandidate. Não acreditam que consiga fazer um novo mandato completo (que terminaria aos 86 anos), e isso é visível na sua degradação física e mental. Por muito que disfarce. E também tem tudo a ver com a vice. Falta quase um ano para as presidenciais, e votar em Biden é escolher Kamala Harris para presidente. Tem a grande vantagem de ser muito mais nova.
Como é possível ter uma senadora democrata em exercício com 90 anos – a quem todos pedem que se retire – ou um líder republicano no Senado, de 81 anos, que tem episódios públicos de total «congelamento». «Nenhum problema com o senador Mitch Mconnel», garantem os médicos do Senado. Pois não, nunca se viu, era o que faltava. Até Pelosi está determinada a fazer mais uma corrida eleitoral, mesmo que em novembro de 2024 já tenha 84 anos. Será que se acham insubstituíveis? Únicos? Providenciais? Não estará chegada a altura de fazerem mais uma adenda constitucional?
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