O Governo de Luís Montenegro é um perigo para a segurança dos portugueses pela incapacidade de prevenir riscos e de antecipar a resposta a dificuldades, é uma indignidade pela permanente contradição entre o já esquecido “não é não” à extrema-direita e o permanente alinhamento em matérias bandeira do Chega, como imigração ou segurança, e constitui um risco pela incapacidade de ter uma estratégia económica que não se limite a uma gestão eleitoral do ciclo orçamental.
A atual crise anunciada pela ação imperial de Trump no Irão, arrastado pela agenda de sobrevivência de Netanyahu, como denunciou o demissionário responsável americano pelo combate ao terrorismo, terá consequências económicas pesadas para Portugal que o Governo está a tentar disfarçar com uns descontos minimalistas no ISP sobre os combustíveis.
Neste quadro de potencial recessão económica, é verdadeiramente surreal que as novas prioridades políticas do PSD sejam fazer um cambalacho com o Chega para eleger três juízes de direita para o Tribunal Constitucional, alterar as regras do processo penal, não para resolver problemas estruturais da Justiça mas sim para interferir nas peripécias de um processo concreto que se arrasta há 12 anos, e revogar a Lei da Identidade de Género que, sem prejuízo para terceiros, facilitou a mudança de sexo por centenas de pessoas nos últimos anos.
É neste quadro de caminho para o suicídio da direita democrática que, pelo conúbio com os rufias da democracia, corre o risco da “italianização”, expressamente desejada por André Ventura, que devemos saudar os casos raros de coerência de valores, capacidade de diálogo e pragmatismo operacional existentes no Governo.
Não são muitos os casos, por isso nos próximos tempos seremos mais ativos a valorizar as faces positivas, ou pelo menos merecedoras do benefício da dúvida, existentes no Governo.
Se existe matéria que entusiasma o pensamento de extrema-direita é a negação das alterações climáticas apesar da frequência crescente entre nós dos eventos climáticos extremos.
Com a atual crise iraniana, face ao aumento dos preços dos combustíveis fosseis, multiplicam-se vozes a dizer que, em vez de se encontrarem alternativas renováveis, deveríamos ter sido mais ativos na exploração de fontes energéticas como o carvão, que a fragmentação rochosa hidráulica americana é que garante a autonomia energética, que deveríamos repensar o uso da energia nuclear e que a qualidade de vida atual não se compadece com preocupações ambientais de longo prazo.
Devemos por isso realçar a coerência na defesa do essencial da agenda de prevenção de riscos climáticos e de continuidade da aposta nas energias renováveis por parte da ministra Graça Carvalho. Esteve ativamente na COP de Belém, boicotada pelos Estados Unidos, pela Argentina e pela Hungria.
Mobilizou 90 milhões de euros, em duas fases, para apoiar a substituição de fogões, fornos e esquentadores a gás por equipamentos elétricos, com um enorme sucesso que levou à duplicação na segunda fase da verba inicial de 30 milhões de euros.
Em abril, avança finalmente o programa alargado de reciclagem de embalagens de plástico e latas com o pagamento de um incentivo de 10 cêntimos à devolução das embalagens. A experiência do apagão levou ao lançamento de um programa de instalação nas infraestruturas críticas de geradores e painéis solares, com uma dotação de 25 milhões de euros destinados a hospitais, centros de comunicações ou instalações das forças de segurança.
Enquanto Leitão Amaro fazia vídeos de propaganda e mentia descaradamente sobre a prontidão do Governo na resposta às tempestades, e a então MAI estava perdida na invisibilidade, Graça Carvalho foi a Alcácer do Sal apoiar a cidade alagada que foi inicialmente excluída da declaração de calamidade e deu a cara pela gestão das albufeiras das barragens que permitiram a contenção de danos das inundações em Coimbra e nas bacias do Mondego e do Tejo.
Já depois da bonança chegar distinguiu-se ainda pela sua sobriedade e eficácia afastando-se da demagogia das promessas, rapidamente desmentida pela realidade, como os pagamentos de prejuízos em 3 dias anunciados por Castro Almeida ou os milhões cantados por José Manuel Fernandes quando só se atribuem apoios até 10 mil euros aos agricultores.
Face à erosão costeira foi já lançado um programa de 15 milhões de euros para recuperações urgentes de praias a realizar até ao verão, antecipando os 200 milhões necessários para intervenções estruturais para recuperar os estragos no litoral.
Igualmente, beneficiando do sucesso da experiência do E-lar, vai ser lançado um sistema de vales para apoiar os proprietários das zonas atingidas pelas tempestades a retirar as árvores caídas, que são uma ameaça explosiva para os inevitáveis incêndios do período quente que se aproxima.
Destaca-se também, na área totalmente abandonada nos dois últimos anos da prevenção de riscos de incêndios rurais, a autorização dada ao ICNF para limpar terrenos que constituam risco de incêndio mesmo sem dono conhecido.
É certo que Graça Carvalho poderia ter sido mais exigente com a REN e a E-Redes, empresas monopolistas de capitais chineses, para uma mais rápida reposição da energia fora das áreas urbanas, mas no quadro do desastre global da intervenção do Governo teve um desempenho claramente positivo.
Pela determinação e tranquilidade na ação, sem as demagogias panfletárias dos seus colegas de Governo, e pela coerência na defesa da agenda da transição energética em tempos de radicalismo negacionista, a ministra Graça Carvalho merece um invulgar prémio Laranja Doce.
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