Com a chegada do mês de junho, regressa também o habitual momento de balanço do ano letivo nas escolas portuguesas. É tempo de analisar resultados, celebrar conquistas e refletir sobre os desafios enfrentados ao longo do percurso.
Contudo, o encerramento de mais um ciclo escolar traz também consigo o cansaço acumulado de alunos e professores, a pressão dos exames, as pautas e as expectativas em torno do desempenho académico. Multiplicam-se as conversas sobre classificações, médias e resultados, num período marcado pela avaliação. Porém, reduzir a missão da escola aos resultados académicos seria ignorar uma parte fundamental do seu propósito.
Embora as classificações constituam um indicador relevante das aprendizagens não traduzem, por si só, a riqueza e a complexidade do percurso educativo de cada aluno. A escola é também um espaço privilegiado de crescimento pessoal, onde se constroem valores, se promovem competências sociais e emocionais e se aprende a viver em comunidade.
É no quotidiano escolar que se aprendem valores, se cimentam relações, se desenvolve a capacidade de compreender o outro e de participar de forma responsável na vida em comunidade. É também papel da escola preparar para a vida, promovendo o desenvolvimento integral de cada ser humano e capacitando-o para participar de forma critica, ativa, empática e transformadora numa sociedade cada vez mais complexa e diversa marcada por desafios sociais sem precedentes.
Nas últimas décadas Portugal deu passos significativos na melhoria do sistema educativo. A redução do abandono escolar e o aumento das qualificações dos jovens são sinais de progresso. No entanto os desafios da escola atual ultrapassam o domínio do desempenho académico. A saúde mental e o bem-estar da comunidade educativa, o sentimento de pertença, a capacidade de criar relações saudáveis bem como valores como a empatia e a solidariedade assumem agora um papel central.
A investigação científica tem demonstrado, de forma, consistente, que os alunos aprendem melhor quando se sentem emocionalmente seguros e integrados na comunidade escolar. Um aluno que se sente seguro, respeitado e apoiado tem maior estímulo para participar, para arriscar, errar e aprender.
Diversos estudos indicam que o sentimento de pertença está diretamente associado a uma maior motivação, à melhoria do bem-estar psicológico e melhores resultados académicos. Quando os alunos sentem que são respeitados, ouvidos e valorizados aprendem melhor e desenvolvem uma relação mais positiva com as aprendizagens.
A ciência evidencia, igualmente, que ambientes educativos acolhedores e a qualidade das relações podem contribuir de forma significativa para a redução de sentimentos de isolamento, ansiedade e exclusão e estão associados a melhores indicadores de saúde e satisfação dos jovens. Estes dados reforçam a ideia de que a escola não pode ser apenas entendida como o lugar onde se transmitem conhecimentos.
Um ensino verdadeiramente integral deve promover o desenvolvimento dos alunos em todas as suas dimensões, intelectual, emocional, social e cívica. Aprender matemática, português ou ciências é, obviamente, fundamental, mas os jovens precisam igualmente de aprender a comunicar, a trabalhar em equipa, a resolver conflitos, a gerir emoções e a compreender e respeitar os outros. Precisam de aprender a ser empáticos e a cultivar conexões positivas entre eles. Um ensino integral não desvaloriza a exigência académica. Pelo contrário, complementa-a.
Sucesso escolar e desenvolvimento humano são dimensões que se reforçam mutuamente. Alunos emocionalmente regulados e integrados socialmente desenvolvem maior capacidade de concentração, resistência à frustração, resiliência e aprendizagem.
É, por isso, urgente repensar o que entendemos por sucesso escolar. Um ensino verdadeiramente transformador não se mede apenas pelas médias e resultados alcançados, mas também pela capacidade de promover o crescimento consciente, solidário, empático e relacional de cada aluno. É nesta visão de ensino integral, onde a conexão e a empatia ocupam um lugar fundamental, que residem os maiores desafios, mas também as maiores oportunidades da escola atual.
Cabe à escola assumir, de forma consciente e consistente, o seu papel na formação de pessoas capazes de pensar, relacionar-se e agir de forma critica, ética e cívica. Este desafio exige um compromisso contínuo com práticas pedagógicas mais humanas e intencionais, capazes de equilibrar exigência académica e desenvolvimento pessoal. É neste equilíbrio que se constrói uma escola com verdadeiro impacto na vida dos alunos.
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