De onze candidatos se fizeram dois e, da noite eleitoral de 18 de janeiro, saiu uma final entre António José Seguro e André Ventura. Será uma escolha entre duas pessoas com percursos, idades e estilos de comunicação muito diferentes.
O primeiro, já com vários anos de experiência, esteve afastado da política ativa, mas regressa com um tom mais sereno e seguro. O segundo, ainda na casa dos 40 anos, tem tido um percurso crescente e opta quase sempre por um tom mais aguerrido, mesmo que, nas duas semanas antes das eleições, com as sondagens a darem-lhe boas hipótese de “ir à final”, tenha moderado um pouco o seu discurso.
O estilo não deve variar muito até ao decisivo dia 8. E é bom que assim seja. Em comunicação, convém ser fiel à sua personalidade, por muito que se possam estudar mensagens e posturas. As personagens acabam por cair, mais tarde ou mais cedo.
No que toca às mensagens, as armas estão escolhidas. Pelo menos para já. É que, ao sabor das opiniões dos votantes, algo pode mudar.
Seguro iniciou a semana seguinte à primeira volta numa longa visita a centros de saúde e a “exigir resultados” na Saúde, no seu primeiro mandato. Está bom de ver que este será tema central. Não admira, é um setor no qual têm existido crises e que apela a todos.
Já Ventura parece apostar na colagem de António José Seguro ao passado do PS, nomeadamente recorrendo a uma fotografia antiga onde o seu adversário está ao lado de José Sócrates e António Costa. O principal objetivo? Pô-los aos três no mesmo saco, que, para ele, é claramente negativo, remetendo a tempos aos quais o país não quer regressar.
Seguro parece apostar numa pose de estado, condizente com a imagem que temos de um Presidente da República. Ventura volta ao papel de challenger, dando voz àqueles que querem uma limpeza.
Há público e espaço comunicacional para os dois. Que comece o duelo por Belém.
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