Os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), sobre o mercado do livro em Portugal, são animadores. De acordo com os mesmos, em 2025, foram vendidos cerca de 15 milhões de livros, o que representa um aumento de quase 7% face a 2024. Este volume traduz-se em 217,5 milhões de euros, um sinal claro de que o mercado livreiro continua a ter vida e relevância.
Ainda assim, a Associação apela a uma análise cautelosa destes resultados, isto porque uma parte significativa deste crescimento ficou a dever-se ao desempenho de uma categoria muito específica: os livros de colorir. Tal evidência demonstra que o público procura cada vez mais experiências diversificadas com o livro, quer para relaxamento, entretenimento ou até aprendizagem. A leitura pode assumir, assim, várias formas e há sempre espaço para inovar e explorar novos formatos como é o caso dos audiolivros.
Os audiolivros não competem nem com o livro físico, nem com os ebooks, sendo, por isso, um complemento à leitura. Este formato, permite sim, que as pessoas estejam em contacto com histórias, nos vários momentos do dia a dia, uma vez que nem sempre podemos usufruir da mesma através do livro físico ou digital. Mas, como alternativa, temos os audiolivros, que permitem dar continuidade à narrativa mesmo quando estamos a fazer deslocações, exercício ou algum tipo de tarefas. Mais do que isso, para muitos, os audiolivros podem ser a porta de entrada para o mundo literário e despertar o interesse por outros formatos.
Os audiolivros servem, assim, para prolongar e diversificar a experiência de leitura. Não têm como objetivo substituir a leitura tradicional, mas complementá-la, adaptando-se aos estilos de vida e às preferências de cada um.
Para que o mercado do livro continue em ascensão e haja cada vez mais leitores é necessário olhar para a leitura de forma mais abrangente e inclusiva. Sem preconceitos relativamente às categorias e, sobretudo, aos formatos. Reconhecer o valor dos diferentes formatos e criar sinergias entre os mesmos permite que cada leitor encontre o formato, ou os formatos, que melhor se adaptam à sua realidade.
Os audiolivros são, assim, uma extensão natural da narrativa e uma ferramenta poderosa para estimular o interesse pela leitura em Portugal, permitindo que as pessoas tenham acesso às histórias, mesmo nos momentos em que a leitura tradicional não seria possível.
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