Cristiano Ronaldo foi à Casa Branca encontrar-se com Donald Trump. Claro está que isso teve cobertura mediática a nível mundial e a fotografia do futebolista e da noiva a ladear o presidente dos Estados Unidos da América (EUA) tornou-se instantaneamente icónica. Ronaldo fez, por assim dizer, um Trumpwashing à sua imagem. Isso é mau? Não, necessariamente. Mas é uma escolha consciente.
Num mundo polarizado, com trincheiras fundas e tantas vezes irracionais, Cristiano Ronaldo escolheu um lado. É legítimo. Mas, com o seu destaque na viagem a Washington, CR7 ganhou mais fãs do lado de uma certa direita, que idolatra Trump. Possivelmente, ganhou uns fãs locais para o soccer, mesmo que o jogo tenha fãs mais do que suficientes em todos os continentes. Do lado da esquerda e do movimento woke, fez com que perdesse fãs ou, pelo menos, que recebesse críticas.
Ronaldo, a esta altura da vida, pouco se importará com ferroadas. A verdade é que já tinha dado sinais de admirar Donald Trump. Primeiro, enviou-lhe, via António Costa, uma camisola autografada, com uma mensagem de paz. Mereceu aplausos globais. Depois, numa badalada entrevista, disse ter (segredo dos segredos) algo em comum com Trump e manifestou vontade de o conhecer. Certamente, nessa altura, já sabia que faria parte da comitiva do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, na sua visita oficial aos EUA.
Será que CR7, uma marca em si mesmo — e uma das mais poderosas a nível mundial —, fez mal em manifestar a sua admiração pública por Trump? Só ele sabe. Mas uma coisa é certa: no próximo ano, quando aterrar nos EUA para o Mundial, não será apenas o capitão da seleção portuguesa e um dos melhores jogadores de sempre; será também amigo de Trump e isso, em comunicação, chama-se posicionamento. E não há posicionamentos errados. Só há objetivos diferentes.
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