A visão é um dos principais sentidos do corpo humano. Permite reconhecer objetos distantes e próximos, avaliar profundidades, cor, brilho e contraste. Para isso, é necessário que toda a via visual esteja íntegra. Os olhos, a ligação neurológica dos olhos até ao cérebro e o córtex visual, onde são interpretadas as imagens, tudo deve estar saudável.
Os olhos são órgãos altamente diferenciados para processar a luz, com camadas e conteúdo praticamente transparente, de modo a não distorcer o estímulo luminoso. Com capacidade de focar a várias distâncias, pela ação do cristalino – que simula as lentes de uma máquina fotográfica e regula a luz que passa pela íris, à semelhança do diafragma de uma câmara fotográfica. Estes órgãos, para funcionarem plenamente, têm de ser bem cuidados. A alimentação rica em antioxidantes e vitaminas é essencial. O controlo de doenças como a diabetes, a hipertensão arterial ou o colesterol alto é também fulcral, porque podem levar a uma diminuição da visão.
Ter atenção à saúde ocular passa também por hábitos saudáveis e rastreios regulares com o médico oftalmologista, porque algumas doenças são silenciosas e só com exames próprios se diagnosticam.
No mundo atual, em que muita informação é digital, somos obrigados a olhar para ecrãs, tanto quando trabalhamos, como nos momentos de lazer. A maioria das vezes, a luminosidade dos aparelhos eletrónicos é muito alta, a letra demasiado pequena, há pouco contraste, a luz ambiente não é adequada, a postura corporal obriga a tensão muscular desnecessária e, tudo isso, leva a desconforto ocular.
O ideal é utilizar os monitores o mínimo de tempo possível e fazer pausas. Muitos sugerem a regra 20-20-20, (a cada 20 minutos, focar alguma coisa que esteja mais afastada, durante 20 segundos). Esta medida simples altera o ponto de focagem, permitindo que os olhos “descansem”.
Ter o ecrã ligeiramente abaixo da nossa linha de visão é também mais cómodo e personalizar as caraterísticas do monitor (contraste, brilho e tamanho de letra) para serem as que menos desconforto provocam são também medidas que têm bons resultados.
Além do excesso de monitores, há patologias que provocam uma alteração na superfície ocular, mais propriamente nas lágrimas. Elas são constituídas por uma parte aquosa, uma parte mucínica e uma parte lipídica (que atrasa a evaporação das lágrimas, aumentando o tempo de contacto com os olhos), nutrindo, protegendo a superfície (para não secar) e contribuindo para a qualidade de visão (clara e estável).
Há, por vezes, alterações da anatomia das pálpebras que originam uma maior exposição dos olhos e, por isso, eles secam mais. Ou doenças que afetam a glândula lacrimal (por Exemplo, Síndrome de Sjogren) ou as glândulas de Meibomius que estão nas pálpebras (e produzem a parte lipídica), e provocam uma menor produção de lágrima ou uma maior evaporação e que são a causa da sensação de areia, picada e dor.
E consegue-se melhorar os sintomas? O oftalmologista irá avaliar a causa dos sintomas de olho seco e propor os tratamentos adequados. Pode prescrever gotas oculares para controlar fatores inflamatórios ou reequilibrar a qualidade da lágrima, tratar infeções do bordo palpebral, com recurso a antibióticos e otimizar a higiene palpebral.
Para tratar a disfunção das glândulas de Meibomius e estabilizar a camada lipídica das lágrimas, a luz pulsada (IPL) é um tratamento atualmente disponível. Recorrendo a equipamentos patenteados, sem necessidade de anestesia, o doente é tratado em sessões de curta duração (normalmente três sessões) com melhoria sintomática, que pode permanecer até três anos.
Por fim, pode ser necessário proceder a técnicas cirúrgicas, que vão desde o encerramento do ponto lacrimal até cirurgias palpebrais para corrigir alterações anatómicas.
Os olhos podem realmente doer! Estar atentos e cuidar da nossa visão é também cuidar da forma como observamos o mundo. E há tanto mundo para ver!
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.