Marcelo Rebelo de Sousa
Depois de um tirocínio de uma década nos ecrãs das televisões e de uma campanha eleitoral em que parecia um budista zen que não sacode o moscardo que lhe morde a perna para não o incomodar, Marcelo chega à presidência da República. Não interessa se é à primeira ou à segunda volta, os portugueses sabem há meses quem é o novo ocupante do Palácio de Belém.
Marisa Matias
É o melhor resultado de sempre de um candidato presidencial apoiado pelo Bloco de Esquerda. E se ultrapassar os 10,22% da última votação dos bloquistas, Marisa mostrará que a sua candidatura vale ainda mais do que a da formação política que a apoiou. A franqueza da candidata, o modo como criticou os privilégios da classe política (as subvenções vitalícias e o episódio do Tribunal Constitucional) e o excelente trabalho realizado em Bruxelas valeram-lhe uma pequena vitória. Era e passará a ser ainda mais, uma incontornável figura da primeira linha do BE.
Tino de Rans
É o primeiro dos pequenos e poderá ultrapassar Maria de Belém e Edgar Silva, dois institucionais, apoiados pelo PS e pelo PCP, respetivamente. Desde a sua irrupção num congresso socialista da era Guterres, à sua passagem por um talk show do late night (Noites Marcianas, lembram-se?), a sua imagem de marca é da genuidade ingénua. Foi passar uma noite com os sem-abrigo de Lisboa e aproveitou, como poucos, os debates de televisão para fazer passar essa imagem de um homem bom, puro e que não está cá para a intrigalhada. Também não está cá para ser eleito presidente da República, mas é certo que baralha um pouco os que julgavam que os dados estavam todos lançados.
Maria de Belém
O seu resultado não é próximo, nem aquém, nem além, é pura humilhação. O episódio das subvenções vitalícias – Belém foi uma das deputadas que requereu a inspecção de inconstitucionalidade da norma do Orçamento de Estado que as suspendeu para os deputados com orçamentos superiores a 2000 euros – foi a machadada final numa candidatura da qual esteve arredado o aparelho socialista. Só há um vislumbre de vitória nesta derrota: a de António Costa, o líder do PS, que nunca a desejou.
Henrique Neto
Foi um dos primeiros a apresentar-se como candidato. Perorou contra José Sócrates, contra a dívida pública, exigiu rigor nas contas públicas, ameaçou demitir governos que não cumprissem os limites do défice. Lembrou Cavaco, sem os trunfos de Cavaco. Não convenceu, nem venceu nada.
Edgar Silva
Se a sua votação ficar abaixo da de Tino de Rans e se for um terço da de Marisa Matias, é uma pesada derrota para o PCP. Na Madeira chegou ao segundo lugar, em Évora e em Beja a terceiro. O resto, é um deserto. É difícil os comunistas clamarem vitória, desta vez.