Agora que se aproxima a segunda volta das eleições presidenciais e será eleito um novo Presidente da República Portuguesa, gostava de lançar um repto: que o Presidente adopte, como uma das bandeiras da Presidência, o progresso da felicidade.
Felizmente, hoje já temos décadas de conhecimento científico acumulado acerca dos determinantes individuais e coletivos da felicidade. E também temos experiências, em todos os continentes, de nações que já implementaram agendas para a felicidade (da Islândia ao Canadá, passando pelos Emirados Árabes Unidos ou a Nova Zelândia, de simples medições até à incorporação nos orçamentos de Estado).
Para que tudo isto seja feito corretamente, é preciso ter os dados certos e saber como medir os impactos de diferentes políticas públicas.
É evidente que a Presidência da República não tem poder executivo nem controla as políticas. Mas tem poder de influência que pode, muito adequadamente, alavancar este desígnio.
Da ONU (vide Relatório Mundial da Felicidade) à OCDE (vide índice da Vida Melhor), já foi reconhecida a relevância e a fiabilidade da mensuração do bem-estar. E os estudos têm demonstrado que a relação entre algumas dimensões tidas como infalíveis no aumento de bem-estar têm, de facto, comportamentos não lineares, enquanto outras são mais robustas (ex: qualidade das relações interpessoais). Ao mesmo tempo, também já se demonstrou o poder inverso, nomeadamente a nível organizacional: empresas com trabalhadores mais felizes tendem a ser mais lucrativas.
Portugal tem muitas áreas em que precisa de se desenvolver: aumentar rendimentos, melhorar a qualidade das instituições, aumentar a esperança de vida com saúde ou diminuir a percepção de corrupção.
A métrica da felicidade pode e deve ser usada como meta fundamental: só assim conseguiremos perceber se tudo o resto que queremos promover está, efetivamente, a gerar bem-estar, e em que medida.
Portugal surge, nos rankings internacionais da felicidade, mal classificado (nomeadamente tendo em conta o nível de PIB que tem). Ter um Presidente capaz de trazer estas agenda para o debate público e político em Portugal seria um contributo fundamental para conseguirmos trazer o País para um patamar mais avançado de bem-estar. Está lançado o desafio!
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