Sabemos todos que vivemos num mundo conectado, globalizado e interdependente. Uma economia que não para, em mudança acelerada, e uma competição que nos obriga a constante vigilância, foco e adaptação.
Neste mundo, países e organizações sentem a pressão para fazerem cada vez mais, sob pena de ficarem para trás e numa rota de insolvência. Será, então, o esforçamo-nos mais e mais o verdadeiro caminho?
Se escutarmos o que a ciência nos diz, percebemos que não.
Na verdade, o caminho da produtividade máxima, dos melhores resultados, e até da felicidade sustentável, está no respeito por equilíbrios delicados que obrigam a parar para arrancar (strat & stop), a desligar para voltar a ligar. Está nos manuais de fisiologia, de biologia e de medicina, e todos os treinadores de alto rendimento sabem-no: não é com cargas de treino máximas e ininterruptas que se maximiza a performance; não é desrespeitando o sono que se sustenta o desempenho; não é com stress crónico que se produzem campeões. Não será com a maximização das horas trabalhadas e a minimização do descanso e a perpetuação da ansiedade que se alcançará a tão importante maximização da produtividade coletiva.
Lendo os avanços das últimas décadas na investigação científica na economia da felicidade, obtemos reforço: a felicidade contribui para a produtividade e a felicidade é incompatível com pouco descanso. Individual ou coletivamente, precisamos de caminhar no sentido de produzir melhor, o que significa respeitar o corpo e a mente. Aliás, os países mais desenvolvidos do mundo, e mais felizes, sabem-no: são muito produtivos, mas não são os que mais se esforçam a trabalhar. Alemanha, Noruega, Dinamarca, Holanda ou Suíça têm as mais altas produtividades do mundo e trabalham menos horas por ano do que Portugal.
Para Portugal, a lição deve ser clara. Se queremos atingir os patamares de conforto material dos países mais ricos, temos de apostar na produtividade, não no esforço sem sentido. E isso obriga a inteligência, gestão de qualidade, simplificação de processos e aposta na saúde física e mental das pessoas. Só assim haverá crescimento económico sustentável e progresso social.
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