Numa época em que se discutem tanto os problemas da União Europeia (que são reais, nomeadamente na independência estratégica, em defesa e em energia, e nas limitações democráticas), e em que tantos apregoam que já estamos a ficar para trás, nomeadamente porque os EUA e a China têm dominado a corrida nas novas tecnologias e na força militar, parece que nos esquecemos de olhar para o óbvio e mais importante: não há outra grande geografia (que tem 450 milhões de habitantes) no mundo onde se viva melhor de forma sustentável.
A forma mais holística de, estatisticamente, provarmos isso, é olhando para a lista dos países em função do seu atingimento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (e seus subindicadores), disponível no Sustainable Development Report da ONU (na sua versão mais recente de 2025).
Nesse relatório, constatamos que no top 10 estão nove países da UE e a Noruega (que tem um modelo de sociedade muito mais próximo da UE do que dos EUA ou da China). Se alargarmos para o top 25, constatamos que 20 desses países pertencem à UE (incluindo-se Portugal, na vigésima posição), sendo os restantes o Reino Unido (antigo membro), a Islândia (modelo social-democrata nórdico), aparecendo só o Japão e o Canadá fora da Europa, mas também com modelos sociais muito diferentes dos dos EUA e da China (que ocupam as posições 44 e 49, respetivamente). Neste ranking, estão incluídos 167 países, uma amostra mais do que representativa do mundo.
Para que não restem dúvidas, nestes 17 ODS estão englobadas todas as dimensões relevantes para que se possa atingir, sustentadamente, uma vida boa e longa, desde a erradicação da pobreza e da fome até boa saúde e bem-estar, passando pela qualidade da educação, pela igualdade de género, pelo acesso a água potável e saneamento, pelo uso acessível de energia limpa, pelo acesso a trabalho decente e ao crescimento económico, por indústrias inovadoras e infraestruturas de qualidade, pela redução das desigualdades, pela existência de cidades e comunidades sustentáveis, por uma produção e um consumo sustentáveis, pela ação climática, pela existência de vida marinha e terrestre, pela paz, a justiça e por instituições fortes e pela criação de parcerias para os ODS.
O esforço que a ONU tem feito em promover estes indicadores é estratégico: fomentar o alinhamento dos países em torno da forma mais eficiente e sustentável de gerar seres humanos saudáveis, longevos e felizes (já agora, no top 20 do ranking mundial da felicidade, também da ONU, 11 países são da UE, mais quatro da Europa, somando-se, depois, a Costa Rica, o México, Israel, a Austrália e a Nova Zelândia, voltando a não surgir nem a China nem os EUA).
A UE tem a particularidade de representar 27 nações com histórias, línguas e culturas próprias, que se foram digladiando ao longo dos tempos e que, ainda assim, formam, hoje, um espaço económico e político de paz e prosperidade sem par em diversidade e democracia à escala mundial.
É importante criticar para melhorar, mas para isso, não é sério olhar para exemplos internacionais que estão muito aquém daquilo que já conseguimos em prosperidade humana. Tenhamos orgulho, pois, e sejamos capazes de continuar a trilhar o nosso caminho.
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