O movimento militar de 28 de Maio de 1926 faz 100 anos. O seu triunfo explica-se, como quase sempre sucede na História, pelo fracasso do regime contra o qual se ergueu – a Primeira República Portuguesa que, em 16 anos, teve 45 governos e oito Presidentes.
Esta ingovernabilidade da República manteve-se na hegemonia dos “Democráticos”, primeiro com Afonso Costa, depois com o “engenheiro das revoluções”, António Maria da Silva, e perturbou a vida política e o funcionamento das instituições. Os “Democráticos” monopolizaram os governos da República e ganhavam sempre as eleições, através de uma legislação eleitoral adequada a esse propósito. E estiveram, até ao consulado de Sidónio (Dezembro de 1917-Dezembro de 1918), em conflito com a Igreja Católica. Oficialmente reinava a democracia liberal, oligárquica como quase todas as do tempo, mas os inimigos do regime, católicos, monárquicos e mesmo republicanos conservadores, foram perseguidos e marginalizados. À esquerda radical também sucedeu o mesmo com o movimento anarco-sindicalista, severamente reprimido; verdade seja que também eram brutais as acções grevistas, com atentados bombistas e descarrilamentos de comboios. A este combate à agitação sindical ficou Afonso Costa a dever o seu epíteto de “Racha-Sindicalistas”.