A avó paterna da minha mãe, Maaliaana, nasceu em Kangaamiut, no oeste de Kalaallit Nunaat, no início do século XX. (Kalaallit Nunaat é um endónimo para a minha terra natal; Gronelândia é como a comunidade internacional lhe chama.) Ela era fruto de uma noite de amor com um baleeiro britânico, numa época em que navios cheios de homens de outros lugares navegavam pelas costas do Ártico.
Maaliaana cresceu como uma criança amada e sabia que o seu pai biológico era um baleeiro britânico. Na nossa cultura inuíte, os bebés não nascem “fora do casamento” e consideramos que são eles próprios que escolhem os seus pais. A adoção é muito celebrada. A minha bisavó foi adotada pelo seu padrasto Kalaaleq (groenlandês), Tobias Mouritzen, que a amava como se fosse sua filha.