Na semana de 13 a 17 de março, decorreu aquele que é o maior evento de imobiliário, em Cannes (França), sendo uma montra de todos os atores deste setor, sejam promotores, investidores, consultores, empresas tecnológicas, governos nacionais e executivos camarários.
Todos os anos, este evento cria uma oportunidade única de encontrarmos num só local, o que de melhor se faz no setor, as principais tendências, quem está a ganhar relevância e a perdê-la, além de ser uma das melhores iniciativas de conferências e apresentações, permitindo um conhecimento muito interessante sobre tudo o que impacta o setor.
O ano passado, a primeira vez pós-Covid, já se sentiu um regresso a tempos anteriores, embora ainda limitado no número de participantes. Este ano, claramente voltámos ao histórico de sucesso, com um elevado número de participantes, 23.000 de 90 países e mais de 300 stands.
O entusiasmo, no que ao novo investimento diz respeito, era limitado, não só pela incerteza económica, mas principalmente a financeira. O aumento acelerado de juros, o reflexo da alta inflação, que condiciona e muito, novos investimentos imobiliários, principalmente, por não se conseguir ter uma expectativa de quando se atingirá o pico são fatores de risco. Como se não bastasse, durante o evento tivemos as más noticias vindas do Credit Suisse, que somavam às da semana anterior vindas dos Estados Unidos. Em conclusão, o ambiente não era o mais entusiasta.
Contudo, o evento não é só investimento, mas também uma promoção de regiões e territórios, que procuram captar investimento. Internacionalmente, além do desaparecimento em 2021 da Rússia (participante muito ativo todos os anos), este ano também se notou a ausência da Turquia. Em contraponto, a forte aposta de todos os países árabes, com destaque para a Arábia Saudita, Emirados e Egito. Também uma nota de reconhecimento para a participação do Brasil, que esperamos que continue, pois, este tipo de investimento só tem retorno quando continuado.
Da área metropolitana de Lisboa esteve presente a capital, Almada e Vila Franca de Xira (só é pena que as demais autarquias como Oeiras, Cascais ou Loures, não se juntem, dando escala e atratividade à região). A norte, o “Greater Porto”, que agrega a Invicta, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, apresentaram-se com um stand muito impressionante e com a presença de outros representantes, nomeadamente, Fundão (pela segunda vez) e a histórica Sonae, que continua a apostar no seu futuro, em permanente renovação.
Esta foi uma das maiores participações portuguesas, que só não foi melhor, porque o “Fuse Valley” do Castro Group nomeado para os prémios do MIPIM, não foi o eleito. Por fim, uma nota sobre a contínua atratividade de Portugal como destino de investimento; haja condições para que continue a sê-lo. Mas quanto a esse tema, não posso esconder que explicar as novas medidas do Governo para o setor da habitação, não contribuiu, em nada, para o trabalho que todos fizemos durante a semana – promover Portugal como o melhor destino de investimento. A ver vamos o que nos reserva o futuro.
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