Tendo em conta que a catedral gótica possui uma acústica extraordinária e um órgão com cerca de 4.000 tubos, a maneira mais fácil de “criar um ambiente acolhedor, reconfortante e relaxante” tornou-se óbvia para o diretor da Catedral, Nicholas Papadopulos, que disponibilizou o local para ser um centro de vacinação, onde são realizadas duas sessões por semanas.
A principal preocupação do responsável, citado pelo New York Times, era em relação às “pessoas mais velhas e vulneráveis, que não têm tido a possibilidade de sair de casa no último ano”.
E foi assim que o espaço se tornou um local onde é possível ouvir música ao vivo em Inglaterra, numa altura em que todos os espaços culturais se encontram fechados e os eventos cancelados devido ao confinamento provocado pela pandemia de Covid-10.
A opção inicial do diretor musical da catedral, David Halls, foi começar por tocar peças clássicas de nomes como Bach, Mozart e Handel. Mas mais tarde tendo em conta que as pessoas não podem atualmente ouvir música ao vivo em outro sítio, decidiu diversificar, e começou a tocar músicas mais populares, na esperança de que “despertassem memórias felizes” entre os ouvintes mais velhos.
O sucesso foi tanto que as pessoas começaram a enviar emails com sugestões de temas para serem tocados durante estas sessões de vacinação, que são tidas em conta.
O problema? Segundo o diretor médico do centro de vacinação, a música faz com que os recém-vacinados queiram ficar mais tempo dentro do centro a ouvir o órgão, quando deviam ficar apenas 15 minutos em observação, o que tem provocado algum atraso no processo.
Esta Catedral inglesa no sul do país não é o único espaço cultural que está a ser usado como centro de vacinação. Também o Thackray Museum of Medicine em Leeds, no norte de Inglaterra, e o Hertford Theatre, em Londres, se tornaram espaços usados para este prepósito.
O objetivo do governo é aproveitar os espaços amplos e bem ventilados destes locais, bem como a experiência dos trabalhadores em lidar com multidões, para que o processo de vacinação aconteça o mais rapidamente possível um pouco por todo o país.
Um dos espaços que foi mais recentemente considerado para este fim foi o Museu da Ciência de Londres que, fechado ao público e com os seus amplos corredores e salas, pode ser o local perfeito para acolher, em vez de turistas, pessoas que levam a nova vacina contra o SARS-CoV-2.