A Ericsson Portugal pede que o dossier da quinta geração de redes móveis (5G) no País – libertação de espectro e leilão de frequências – seja retomado o “mais rápido possível”, como referiram Luís Muchacho, diretor de pré-venda de redes, e Nuno Roso, líder de serviços digitais, numa conferência de imprensa realizada nesta terça-feira.
“Nós já temos tínhamos mencionado que gostaríamos de ter a 5G mais cedo, que gostaríamos de ter a 5G em Portugal em 2020, pelas razões e casos-chave que mencionámos. A 5G é uma realidade noutros países e gostaríamos que Portugal não ficasse para trás. A situação da Covid-19 tornou perfeitamente justificável o atraso, mas gostaríamos que o processo fosse retomado o mais cedo possível”, adiantou Luís Muchacho a propósito do atraso verificado no processo de implementação.
“A Ericsson está completamente pronta para lançar a 5G em Portugal face ao que tem feito [noutros países]”, acrescentou ainda, para depois dizer que cabe agora à Autoridade Nacional das Comunicações e ao Governo a definição dos novos timings do processo. “Continuamos a nossa visão de que a 5G é fundamental para Portugal”, disse ainda o responsável.
Já Nuno Roso considera que, apesar de a empresa ainda não ter pormenores sobre a retoma do dossier da 5G em Portugal, tem recebido “sinais encorajadores do ponto de vista do Governo para retomar o processo, e acreditamos que essa discussão tem que ser feita e tem que avançar para a frente”.
O líder de soluções digitais da Ericsson Portugal lembrou ainda que, apesar das experiências que têm sido feitas com os operadores de telecomunicações, “chega a um ponto em que, sem a disponibilização de mais infraestrutura, do ponto de vista das frequências, estamos mais limitados”.
A pandemia provocada pela Covid-19 e o próprio cancelamento do maior evento de telecomunicações do mundo, o Mobile World Congress, que se deveria ter realizado no final de fevereiro, “acabou por não ajudar” nos planos de países como Portugal, mas não só, já que outros países europeus também adiaram os seus planos de implementação e lançamento comercial da 5G. Mesmo com todos os constrangimentos, a empresa diz que do ponto de vista tecnológico está tudo preparado para lançar a 5G no mercado português. “Estamos preparados para avançar com implementação do 5G amanhã se for necessário”, salientou ainda Nuno Roso.
A empresa garantiu ainda que apesar do maior escrutínio que tem havido junto dos fornecedores de equipamentos e soluções de infraestrutura 5G, muito por causa das alegações de falta de segurança que têm sido feitas contra a Huawei, sobretudo pelos EUA, tem sentido “mais solicitações sobre o tema”, mas não uma maior pressão no sentido da análise de segurança e risco das seus produtos.