Como definir Dreams? Um jogo? Uma rede social? Uma plataforma de criação de conteúdos? “Sim, a tudo. No fundo, vai depender de quem der a resposta”, explica David Smith, cofundador e diretor técnico da Media Molecule, que esteve na companhia de Peter Fields, designer na empresa, numa entrevista por videoconferência à Exame Informática. “Basicamente, é um sítio onde se vai criar e explorar coisas que outras pessoas fizeram”, sintetiza o responsável.

Dreams chegou oficialmente em exclusivo à PlayStation 4 no dia 14 e é a evolução do conceito ‘Jogar, Criar e Partilhar’ que o estúdio Media Molecule já tinha iniciado com o jogo LittleBigPlanet. Neste novo título, os jogadores têm a possibilidade de, por exemplo, criar jogos, curtas de animação e música, jogar às criações de outros membros da comunidade ou fazer curadoria de conteúdos.
Fruto de oito anos de trabalho, David Smith e Peter Fields explicam que em Dreams queriam capacitar ao máximo a criatividade das pessoas, dando-lhes as mesmas ferramentas a nível de animações, modelações 3D e sons que o estúdio usa para trabalhar. E este é um trabalho que não acabou com o lançamento do jogo, já que a Media Molecule continua a fazer atualizações constantes.

A tipologia de jogadores tem vindo a variar. Se na versão Beta a primeira fornada de pessoas que tiveram acesso a Dreams eram criadores hardcore, que queriam explorar as ferramentas, já na fase de acesso antecipado foram os gamers ocasionais que apenas queriam jogar e fazer curadoria a representar a maior percentagem de utilizadores. Agora, segundos os responsáveis da Media Molecule, há um maior equilíbrio entre os diferentes perfis.
E que tipo de jogos são mais criados e jogados? Os de exploração, “porque são dos mais acessíveis de fazer, não é preciso ser demasiado técnico a nível da lógica, basta criar um espaço para explorar”, revela Peter Fields. Contudo, o designer mostra-se surpreendido com o elevado número de jogos de corrida criados, pois estes são muito difíceis de construir.
A criatividade da comunidade tem até impacto na política de recrutamento da Media Molecule, que já contratou uma pessoa que se destacou na criação de conteúdos em Dreams. E o objetivo é recrutar ainda mais pessoas de todos os espetros associados ao gaming: designers, artistas, músicos, produtores, etc.

Tendo em conta o potencial criativo de Dreams, causa estranheza que este título seja exclusivo de uma única plataforma – a PlayStation 4, neste caso. Indagámos os responsáveis da Media Molecule sobre a possibilidade de fazer chegar a obra a Xbox, Nintendo, PC ou até PS5, mas embatemos num muro: “Temos ordens rigorosas e não podemos falar de hardware futuro nesta altura”.
Para já, o foco do estúdio é continuar a apoiar Dreams, sendo que um dos principais desafios a médio prazo que já identificado é a capacidade de filtrar e encontrar o melhor conteúdo e oferecer suporte às comunidades mais pequenas do jogo que se especializam em funcionalidades de nicho.
Tendo em conta que estávamos a falar com alguém que criou um jogo que permite criar jogos, quisemos saber junto de David Smith e Peter Fields quais os títulos que mais os tinham cativado enquanto jovens e os responsáveis deram dois exemplos: Elite, um jogo de naves para BBC Micro Model B, e Mario 64. Atualmente, Minecraft é um dos preferidos devido à mecânica simples que permite explorar um mundo 3D.