No relatório de 2019 do Grupo de Análise de Ameaças da Google, há uma boa notícia e uma má notícia: a má notícia revela que foram detetadas mais de 40 mil tentativas de ciberataque de grupos de cibercriminosos apoiados por governos ou estados; a boa notícia é que essas 40 mil tentativas de ataque refletem um decréscimo de 25% face aos dados compilados em 2018.
A Google revela que grupos associados à Coreia do Sul e ao Irão continuam especialmente ativos, mas também faz referência a coletivos como o SANDWORM, que tem no currículo ataques a diferentes setores.
Jornalistas, partidos políticos, ativistas dos direitos humanos, e também homens de negócios figuram nas listas das vítimas destes grupos apoiados pelos diferentes governos.
Os especialistas da Google admitem que a redução do número de ataques registados poderá dever-se a um crescendo da eficácia dos sistemas de proteção de e-mails e computadores, mas também recordam que “os esforços dos atacantes diminuíram e tornaram-se mais deliberados nas intenções, o que significa que as tentativas de ataque estão a tornar-se menos frequentes à medida que os atacantes se vão adaptando”.
Estados Unidos, Índia, Paquistão, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Japão figuram entre os países mais fustigados, totalizando cada um mais de 1000 ataques de origem política. A analisar pelo mapa fornecido pela página da Google, terão sido registados menos de 10 ataques de origem política em Portugal durante o ano passado.
A Google informa que tem vindo a disponibilizar a muitas das potenciais vítimas um Programa de Proteção Avançado com o objetivo de travar ataques a jornalistas e ativistas. É através deste Programa que foi possível apurar que um quinto dos alvos dos cibercriminosos foi sujeito a várias tentativas de ataque durante 2019.
A Google refere que a persistência é a palavra de ordem entre os cibercriminosos. Os ataques podem limitar-se ao envio de e-mails fraudulentos que levam as vítimas a clicar num link que automaticamente dissemina software de phishing – mas também há casos em que os hackers tentam ganhar confiança com as vítimas ou com alguém do círculo das suas relações para as levar a descarregar inadvertidamente códigos maliciosos que permitem o acesso a computadores, contas de e-mail ou dados de telemóvel.