Um mecânico do Wisconsin, EUA, serviu de laboratório humano nos últimos 18 anos, com o seu sangue a ser usado para produzir anticorpos de defesa contra os venenos das espécies mais mortais de cobras. Os cientistas usaram o sangue para criar uma cura para o veneno de 13 das 19 espécies mais perigosas e oferecer proteção contra as restantes seis.
Tim Friede tem um canal do YouTube onde mostra vídeos a ser injetado e atingido pelo veneno das cobras mais mortíferas e a sobreviver. Os vídeos são a parte mais visível de um projeto de auto-imunização começado há quase 20 anos. Friede vai injetando o veneno no seu corpo, em quantidades cada vez maiores, e dá tempo ao seu organismo para produzir os anticorpos necessários para sobreviver.
Agora, uma equipa de investigadores colheu o sangue de Friede e isolou os anticorpos necessários para produzir um contraveneno que foi testado em ratos contra os 19 venenos produzidos pelas cobras classificadas como tipo 1 ou tipo 2 pela Organização Mundial de Saúde. Com as cobras a produzirem entre cinco e 70 proteínas de toxinas cada uma, é fácil perceber que o processo deixa muita margem para diferentes combinações, mas uma vez que Friede conduziu este trabalho ao longo de 18 anos com várias experiências, a missão dos cientistas ficou facilitada. A equipa conseguiu monitorizar exatamente quais os anticorpos que melhor defenderam o organismo dos efeitos neurotóxicos do veneno.
Nos ratos dos testes, conseguiu-se proteção total contra 13 espécies e parcial contra seis, com o autor Jacob Glanville a acreditar que adicionar um quarto componente à fórmula vai permitir criar um antiveneno universal, noticia o New Atlas. A solução atual já dá esperança para hospitais em países como a Índia poderem ter um antiveneno ‘universal’ em stock para administrar a quem seja mordido, em vez de terem de armazenar vários antivenenos frágeis, caros e que só funcionam para uma determinada espécie.
Os investigadores vão continuar o trabalho em direção a uma solução universal e não descartam a possibilidade de criar dois antivenenos eficazes para dois conjuntos de cobras, a serem usados de acordo com a região do globo onde estas se concentram.
O estudo completo foi publicado no Cell Press.