A Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos EUA (NASA) anunciou que a sonda Curiosity vai agora dedicar-se a estudar as rochas que apresentam padrões em formato de teia de aranha e por onde a água deve, um dia, ter passado. A sonda já completou com sucesso a missão anterior e está pronta para começar a circular ao longo de vários quilómetros de rocha para desvendar os segredos sobre o passado do ‘planeta vermelho’ no que toca a cursos de água.
Entre os sucessos recentes da Curiosity, numa missão programada para 12 anos em Marte, estão a descoberta de cristais de enxofre puro e rochas deixadas para trás por lagos antigos. A 18 de novembro, foi tirada a selfie de 360 graus que marcou o fim da etapa em Gediz Vallis, o canal onde passou os últimos meses.
Agora, a sonda vai ‘zarpar’ para outra região, explorando uma área que mede entre 10 e 20 quilómetros, com um padrão ziguezagueante de depósitos. Estas ‘teias’ não estão relacionadas com as ‘aranhas’ de Marte, que ocorrem quando o gelo de dióxido de carbono sublima à superfície do planeta ou se transforma de sólido para gasoso. Os depósitos que vão agora ser explorados formam-se quando água rica em calcite entra nas fendas entre rochas e endurece, antes de se evaporar, formando “finas lâminas de material cristalino em protuberâncias nas paredes rochosas”, conta a Sociedade de Espeleologia Nacional dos EUA, equiparando o processo ao da formação de estalactites e estalagmites. Em Marte, no entanto, as rochas foram formadas pela passagem de água e não pelo gotejar de água, como acontece nas grutas na Terra.
A equipa de projeto pretende perceber melhor este processo de formação e ter mais luzes sobre o passado de água em Marte. A sonda deve chegar à área a explorar em inícios de 2025.