A agência espacial americana (NASA) fechou o mês de abril com o anúncio do concurso de seleção dos três consórcios que deverão desenvolver propostas para o desenho dos módulos que vão aterrar na Lua – e desembarcar astronautas – em 2024. Foram escolhidos consórcios liderados pela Blue Origin, a Dynetics, e a SpaceX. Sinal dos tempos ou apenas resultado imprevisto, o consórcio liderado pela Boeing ficou de fora. A NASA prevê atribuir aos três consórcios selecionados um total de 967 milhões de dólares (cerca de 884 milhões de euros) – se o Congresso, que reúne os representantes eleitos dos EUA, assim o aprovar.
Os três consórcios foram premiados tendo em conta o mérito das propostas. A Blue Origin ficou com mais de metade do “bolo” financeiro previsto para este concurso ao garantir os 579 milhões de dólares relativos ao primeiro lugar. O consórcio liderado pela Dynetics deverá amealhar 253 milhões de dólares, enquanto o grupo de empresas coordenado pela SpaceX terá direito a 135 milhões de dólares, informa o site Space.com.

O mesmo site especializado informa ainda que o consórcio que garantiu o primeiro lugar deverá ter um módulo descendente baseado no design de um módulo conhecido por Blue Moon, que a Blue Origin já havia dado a conhecer. A Lockeed Martin, a Northrop Grumman e a Draper são outras das empresas que deverão ter um papel de destaque neste consórcio.
Em contrapartida, o consórcio liderado pela Dynetics, em vez de propor módulos especializados na alunagem ou na fase ascendente que deverá ocorrer quando os astronautas abandonarem a Lua, apresentou-se a concurso com um projeto que tem em vista o desenvolvimento de um veículo que tanto é capaz de aterrar como lançar-se de novo no Espaço para perfazer novas órbitas.

O projeto apresentado pelo consórcio liderado pela SpaceX tem por base o veículo Starship (da própria SpaceX) e tem como característica diferenciadora o lançamento pelo foguetão Super Heavy e o facto de poder ser abastecido de combustível quando ainda se encontra a orbitar em torno da Terra.
Na NASA, há a expectativa de que os estímulos económicos pós-Covid-19, que foram anunciados pela presidência e pelo Congresso dos EUA, venham também a abranger a indústria aeroespacial – caso contrário, a agência terá de ser sujeita a uma grande ginástica orçamental para encaixar tamanha verba.

Nos próximos 10 meses, os três consórcios deverão desenvolver as respetivas propostas e projetos até ao que se considera uma fase de análise preliminar, que precede o desenvolvimento dos módulos lunar que vão ser usados na realidade.
Ao escolher três consórcios em vez de apenas um, a NASA pretende manter em aberto a possibilidade de escolha de uma alternativa de recurso, caso o projeto mais bem classificado acabe por fracassar. A agência espacial americana refere ainda que os projetos desenvolvidos pelos consórcios que ficaram em segundo e terceiro lugares poderão ser usados noutras missões espaciais.