Não se fala noutra coisa. É a COP 26, a Cimeira do Clima, onde os 26 líderes do mundo civilizado decidem o futuro das alterações climáticas. São as Gretas Thunberg, ativistas do ambiente, que se multiplicam em manifestações. São as marcas de consumo, cada vez mais preocupadas em mostrar que são “verdes”, os influenciadores digitais a pregar os benefícios de comermos de forma saudável e sustentável, os defensores das bicicletas, trotinetas e todos os meios de transporte “limpos”… A palavra “sustentabilidade “ está em todo o lado. Mas será que, na prática, os nossos comportamentos e atitudes perante o ambiente são tão sustentáveis como o nosso discurso?
Há décadas que sabemos que reciclar é essencial. Estamos cientes de que temos de mudar as nossas atitudes para reduzir a nossa pegada ambiental, a começar por contribuir para a separação de embalagens – de plástico, papel, vidro e metal – e reciclar. Temos provas de que, ao reciclarmos, poluimos menos e damos origem a novas matérias-primas. São palavras sonantes, que ficam no ouvido, mas é importante que as coloquemos em prática e não se fiquem por declarações de intenções.

Reciclar, porque os recursos são finitos
Muitos dos recursos energéticos que poupamos são fontes de energia não renováveis, como é o caso do petróleo. Ao reciclarmos embalagens estamos a possibilitar produzir novos materiais utilizando menos energia, evitando a emissão de gases de efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento global. Em nome da sustentabilidade, a ideia é que usufruamos mais e gastemos menos, pois todas as nossas ações têm impacto sobre a natureza, escolhas que vão desde o que comemos ao que compramos no supermercado e à forma como nos deslocamos. O pequeno contributo de cada um de nós pode parecer uma migalha quando visto individualmente, mas, no final, se todos se empenharem, temos um bolo gigante em prol da sustentabilidade do planeta. Basta, para isso, que cada um de nós deixe de contribuir com 400 a 500 kg de resíduos por ano e colabore para que toneladas de embalagens e alimentos não se desperdicem, por exemplo.
E agora que leu tudo isto, já está pronto para mudar de atitude e contribuir para o ambiente e sustentabilidade do planeta onde vivemos?
Segundo a Sociedade Ponto Verde, “sete em cada dez casas já recicla” e para ajudar, há um ecoponto em cada esquina e de cores diferentes para melhor memorizar onde colocar cada uma das embalagens. E então, o que espera para colocar mãos-à-obra?

Porque mudar comportamentos?
Sabemos a teoria toda da sustentabilidade, mas depois, na prática, as atitudes são diferentes. Por exemplo, se na zona onde moramos não há grande alternativa aos transportes, então optamos pela solução mais fácil: deslocamos-nos de carro. Porque se formos de bicicleta pode não ser tão agradável chegar ao local de trabalho a transpirar. Ou porque não é tão confortável… Muitas vezes até são os miúdos, que até têm umas ideias sobre o que se deve fazer e querem muito dar o seu contributo, mas já se sabe para quem é que sobra o trabalho no final do dia. Certo?
A água continua a sair da torneira. O novo telemóvel é mesmo necessário porque traz novas funcionalidades. A roupa que não serve, alguém há-de depois ficar com ela e a comida que sobrou acaba por ir parar ao lixo. Se pensarmos assim, não vamos ajudar muito o planeta, nem tão-pouco contribuir para a sustentabilidade.
Porquê mudar? Porque é mesmo preciso. Porque não é um tema inventado pelos eco-chatos. Porque temos essa obrigação para com as próximas gerações – e, já agora, compromissos legais europeus para cumprir.
Já estamos cansados de sermos sempre nós a ficar para trás, não estamos?
Recicle. Use o ecoponto, recicle todas as embalagens. Consuma mais racionalmente: precisa mesmo? Vai durar? Vai ter utilidade? Reduza: a água, a energia o uso do carro. Usufrua mais e gaste menos. É esse o mote. E assim teremos futuro.