No início, “vem-nos à memória uma frase batida”: “A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha.” Foi dita por Francisco Sá-Carneiro e nunca perdeu atualidade nem pertinência. Muito menos agora, no tempo do sem-vergonhismo.
Este é um conceito mediático que define um comportamento social e político em que os limites daquilo que antes considerávamos (in)aceitável se esbatem, ficam mais turvos. A sociedade passou a achar admissíveis discursos e ações que em tempos eram simplesmente intoleráveis, havendo uma deslocação de princípios e valores. Por exemplo: espalhar desinformação sem a mínima sombra de culpa, com total consciência do mal que se está a fazer, mas de olhos fixados no prémio final, num sentimento de que os fins justificam os meios.
