Estamos no meio do oceano Atlântico, em Santa Luzia, a única ilha desabitada de Cabo Verde. A Praia dos Achados é como uma ferida a céu aberto. Num só lugar, cruzam-se os dilemas que a vida na Terra enfrenta com a omnipresença dos plásticos. Um areal idílico de três quilómetros de extensão, a contornar a baía virada a nordeste, é escolhido por tartarugas marinhas para nidificar, sem humanos por perto.
A ilha está classificada como reserva natural parcial, ou seja, qualquer visita requer autorização. Mas a Praia dos Achados é um areal minado por lixo, depositado conforme a força das marés. Nalguns locais temos de olhar bem antes de pôr os pés no chão. O vento constante não ajuda. Há tábuas de madeira com pregos, paletes de carga inteiras e todo o tipo de embalagens de plástico, umas inteiras, a maioria partidas. Há paredes de barracas e outros pedaços, não se percebe bem do quê, do tamanho de mobílias. E há microplásticos, invisíveis a olho nu. São centenas de fragmentos por metro quadrado.

