A primeira vez que Virginia Oldoini entrou no estúdio Mayer & Pierson, em Paris, ia enfiada num vestido preto demasiado carregado para os seus 19 anos. A casa aberta pelos irmãos Mayer especializara-se nos daguerreótipos pintados a aguarela e Pierre-Louis Pierson era conhecido por retratar particularmente bem mulheres, preferindo poses naturais. Naquele dia de julho de 1856, ela seria fotografada como se estivesse a passar junto ao número 3 do elegante Boulevard des Capucines, de chapéu, luvas, sombrinha aberta e olhar recatado.
Seis meses antes, a jovem italiana causara sensação ao chegar à capital francesa na companhia do marido, o conde Verasis de Castiglione, e do filho de ambos, Giorgio. Era bela, belissima. “Nunca vi beleza que rivalizasse com a dela, nem verei outra igual!”, afirmaria nas suas memórias a princesa Pauline Metternich, ela própria um ícone de moda nas sociedades parisiense e vienense, depois de descrever o “maravilhoso” cabelo dourado e ondulado de Virginia, os olhos que num momento eram verdes, noutro de um “extraordinário” azul-violeta, a sua cintura “de ninfa” e uma tez “da cor do mármore rosa”.

SURPREENDENTE
Le Regard (o olhar), é um dos seus primeiros retratos. Mais tarde, Virginia jogaria com espelhos, tinta da China e aguarelas (quando não era ela a pintar as fotografias, dava ordens precisas). E fazia strips parciais para enviar aos seus admiradores
