Desafiado pelo mentor que acreditou nele no Dubai, o alentejano José Cabeça passou os últimos quatro anos a preparar-se na Noruega para um salto quântico na sua ambição olímpica. A mera participação, com que sonhou desde a infância até a concretizar em 2022, em Pequim, deu lugar a uma estrada para o impossível, que visa levar até ao topo de uma modalidade alguém que nela se iniciou tão tardiamente, como aconteceu com este natural de Évora no esqui de fundo. Estava prestes a completar 24 anos quando arrancou sozinho para França, onde passou mais tempo caído na neve do que a esquiar, mas hoje está aí para as curvas, convicto de que, dentro de “dois ou três anos”, estará em condições de discutir medalhas com os melhores do mundo, como desvenda nesta entrevista a partir de Oslo. Na sua segunda participação olímpica, a meta é fazer cair bastante a distância para os homens da frente, sobretudo nos 10 km, mas também na prova de sprint (1,5 km).

Como é que um jovem de Évora se lembra de praticar esqui de fundo?
Tudo se deve à minha loucura de querer ir aos Jogos Olímpicos, desde muito pequeno. Em 2018, estava a ver na televisão os Jogos Olímpicos de Inverno e deparei-me com a modalidade. Era um pouco como o triatlo, que eu praticava. Damos tudo de nós e chegamos ao fim mortos, por assim dizer. Sentado no sofá, disse para a minha mãe: “Vou ver se é possível começar a fazer este desporto para tentar ir aos próximos Jogos Olímpicos.” Ela olhou para mim e respondeu: “Não te chega o triatlo? Nós nem temos neve.”
