Em março de 1911, o Syracuse Advertising Men’s Club, no estado de Nova Iorque, organizou um banquete para debater jornalismo e publicidade. É bem possível que os seus membros tenham sido recebidos por uma reconfortante cassolette de chair de crabe de entrada, e que, antes de conseguirem deliciar-se com as mignardises prometidas à sobremesa, acabassem surpreendidos pelo discurso de Arthur Brisbane, editor no New York Evening Journal, do poderoso grupo Hearst. A entrada gratinada de carne de caranguejo e os delicados doces miniatura franceses estavam na moda naqueles tempos, mas o menu do encontro desse grupo de homens que então influenciavam o rumo dos jornais norte-americanos não ficou para a História. No dia seguinte ao banquete, um repórter do The Post-Standard reproduzia um conselho de Brisbane que faria esquecer tudo o resto e ainda hoje é repetido como precursor da importância do fotojornalismo: “Usem uma imagem. Vale mais do que mil palavras.”

Consta que o célebre jornalista e editor, considerado responsável pela popularização das manchetes sensacionalistas, estava a piscar o olho aos anúncios que cada vez tiravam mais espaço aos artigos – “e bem!”, imaginamo-lo a exclamar, logo ele que conseguira ver o seu salário contratualmente associado aos lucros do jornal. Não importa. É verdade, muitas vezes, que uma imagem vale mais do que mil palavras, como aliás provam as belíssimas fotografias destas páginas.
