Encontramo-nos numa manhã do final de novembro no Hotel Ritz, em Lisboa, já todo engalanado para a época natalícia. António Damásio, 81 anos, o mais conhecido neurocientista português, aclamado por todo o mundo, vem com um sorriso e com prazos apertados. Entre o lançamento em Portugal do seu novo livro, A Inteligência Natural e a Lógica da Consciência, e as várias entrevistas que agendou, a passagem pelo nosso país é tumultuada.
Dias antes, no Porto, mais de mil pessoas esgotaram as cadeiras do auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados para assistir ao lançamento mundial do livro editado pela Temas e Debates, a 21 de novembro. Aí confessou que gosta de ter um “público largo” através da escrita. Aliás, começou a escrever aos 15 anos, críticas de filmes para um cineclube. E, logo aí, veio a comparação com a sétima arte: “Grande parte daquilo que se passa na nossa mente é, de facto, um espetáculo multimédia, com imagens visuais, imagens sonoras e muitas outras. Com grande probabilidade, os primeiros inventores da fotografia e do cinema pensaram naquilo que eles próprios têm dentro do seu espírito”, cita o JPN.

