Passei mais de metade da minha vida a voar por esse mundo fora. Ainda continuo. Primeiro como piloto da TAP, depois como simples viajante. Foram 37 anos na profissão e mais de 20 mil horas de voo realizadas, contas por baixo. Se juntar as horas feitas como passageiro, já devo ter passado as 25 mil, mais coisa menos coisa. Tudo isto para dizer que já tinha andado pelos cinco continentes que me ensinaram na escola, acreditava que já tinha visto tudo o que pudesse interessar-me. Faltava o sexto continente (o tal que não me ensinaram na escola), mas esse era tudo menos atingível. Pelo menos, da forma que eu mais gostaria, ou seja, de avião. Em 2004 estive lá perto, em Ushuaia, de onde partem navios de cruzeiro para as costas da Antártida, mas não era aquilo que eu queria. Só me interessava a Antártida profunda, desértica e atormentada por tempestades que apenas conhecia dos livros e filmes, mas isso não me parecia concretizável no tempo de vida que me restava. Só que…

Só que um dia o telefone tocou e era o Carlos Mirpuri, amigo de longa data e colega nesta gloriosa aventura dos aviões:
