Fernando Lourenço é pastor. Encontrei-o pouco passava da hora do almoço. O lugar era Malfrade, na freguesia de Vaqueiros, em Alcoutim. Caminhava pela estrada sem trânsito junto às casas. Não se ouvia nada, não se via mais ninguém. O silêncio foi interrompido pelas ovelhas atrás dele. Badalos e a seguir o ladrar dos cães que o ajudam no trabalho. Parou para me cumprimentar e ficou a conversar comigo sobre o dia que corria. Fez-me companhia enquanto terminava o almoço que tinha trazido de casa e que comia de pé, encostado ao carro. Perguntei-lhe pelo mar de painéis fotovoltaicos ao lado e se sabia onde queriam instalar as eólicas. Acenou-me para o outro lado, na parte de cima da ladeira. “Vamos ficar cercados”, disse-me. “Painéis daquele lado e as eólicas vão ser ali para cima.” Para não ficar sem terras para o rebanho pastar, confessou-me que teve de trocar terrenos, pois os seus são agora o chão de alguma das quatro centrais fotovoltaicas que se estendem dali de Malfrade até Martim Longo. Em linha reta, são cerca de oito quilómetros de extensão.
A Galp, a petrolífera que as construiu, parece orgulhar-se delas referindo no site de notícias da própria – a energiser.pt – que as centrais “ocupam cerca de 250 hectares (o equivalente a cerca de 350 campos de futebol), fazem parte da paisagem e perdem-se de vista”! Que se perdem de vista posso atestá-lo. Percorri-as de uma ponta à outra e demorei bastante até deixar de as ver. Pelo meio, atravessei uma ribeira, a de Foupana, que vai desaguar ao rio Odeleite e, por sua vez, ao Guadiana. A extensão é, infelizmente, enorme.
