A COP30, que se inicia esta segunda-feira na cidade brasileira de Belém, marca uma mudança na geografia da diplomacia climática: da Europa para a Amazónia. Pela primeira vez, a conferência sobre alterações climáticas acontece no centro de um dos biomas decisivos para o equilíbrio do clima global. Mas o simbolismo traz consigo uma contradição: as populações que mantêm a floresta de pé estarão presentes, porém, continuam afastadas das decisões formais.

A conservação global depende diretamente dos povos nos territórios, que seguem sob pressão do agronegócio, da mineração ilegal, da grilagem (posse por meios fraudulentos) de terras e, agora, da exploração petrolífera. “Se a floresta permanece de pé, é porque os povos indígenas estão nela. Mas quando chega a hora das decisões, ainda temos de pedir espaço para falar”, afirma Marinete Tukano, coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazónia Brasileira.
