Na pele de estudante universitária, Vanessa Lopes pensou ser caso único na comunidade cigana, “a ovelha negra da família”. Escolheu o curso de Ciências da Comunicação, com especialização em Jornalismo, depois de muito persistir para ali chegar: os pais nunca acreditaram nos estudos e desviaram-na da escola após o 9.º ano; já antes faltara inúmeras vezes às aulas e, daí em diante, acumular-se-ia muito mais matéria para recuperar; habituara-se a ouvir, dentro e fora do círculo próximo, que a universidade não era para pessoas como ela.
Por alguma razão “inevitável” que, aos 30 anos, ainda não consegue determinar, esta lisboeta nunca se resignou perante tal sentença. Durante a adolescência, era a primeira a recriminar-se por não seguir o caminho tradicional. “Porque é que não és como as outras meninas à tua volta? Porque é que não és normal?”, questionava-se, à medida que o conflito interior crescia. “Não tinha acesso a nada, mas ia à escola e gostava. Pensava: ‘É impossível eu ter vindo ao mundo simplesmente para casar, ter filhos e, basicamente, ser dona de casa’.”